quarta-feira, 22 de abril de 2009


No DN:
"A revolução que falhou
por Baptista-Bastos
Que vamos comemorar no sábado? O "dia inicial inteiro e limpo" [Sophia de Mello Breyner]? Mas que resta desse dia? As ruínas de uma história que se perdeu nela própria. A avenida encher-se-á, como de hábito, e os discursos, no Rossio, alegres e decididos, dissimulam a melancólica gravidade de uma peregrinação que se faz por uma memória feliz, tornada triste e antiga.
Ocultamos a dor do que perdemos, é isso. A multidão reflui, gritando estribilhos antigos, miméticos e elementares. "Fascismo nunca mais!" "O poder está no povo!" "Os ricos que paguem a crise!" Animamos a nossa profunda descrença, com a ressurreição nostálgica de um tempo delido que vai ficando efeméride.(...)
Afinal, vamos comemorar a nostalgia."

terça-feira, 21 de abril de 2009


na Boca do Inferno, cascais - foto flipvinagre

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.

Eugénio de Andrade

a novidade em T'shirt do próximo verão

Chamavam-lhe metro e meio. Na realidade ele tinha 1,58m, mas não se importava, não dava ouvidos à ironia. Era franzino, sim, ele reconhecia isso, mas cada um deve resignar-se ao que a natureza lhe reservou. Um dia, o gato do Ministro Adjunto do Ministro xis, um animal de uma beleza ímpar, merecedor da maior consideração de todos os membros do governo e respectivas familias e até mesmo do partido, desapareceu, a última vez que o viram foi num bueiro, zás, jamais se soube dele. Ninguém o encontrava, bombeiros, as mais variadas entidades, nada, ninguém conseguia dar com o gato, textualmente falando. Até que o metro e meio numa terça-feira ensolarada, nunca mais me esqueço, pediu uma audiência ao dito Ministro. Respondendo sobre o motivo do seu pedido, afirmou que lhe queria falar sobre o gato. O Ministro, esperançado que ele houvera descoberto o seu belo animal, deu instruções para que fosse ouvido imediatamente e assim foi. Após os cumprimentos, o Ministro, ansioso, perguntou-lhe sobre o que lhe queria dizer sobre o gato. O metro e meio, num ar perfeitamente natural, disse-lhe que a razão da sua presença ali era meramente circunstancial, apenas queria saber se já se sabia alguma coisa do paradeiro do gato.

praia da Poça, Estoril - foto flipvinagre

INSCRIÇÃO SOBRE AS ONDAS

Mal fora iniciada a secreta viagem
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que deus me segredou.

David Mourão-Ferreira, in A Secreta Viagem
Ora cá está mais um 'senão' dos dias que correm. No JN:
"Vários autarcas usaram dinheiro das câmaras para pagar multas passadas, a título pessoal, pelo Tribunal de Contas, em vez de as saldarem do próprio bolso, como manda a lei. O Ministério Público será chamado a intervir.
Os casos foram detectados em inspecções correntes do Tribunal de Contas e já motivaram uma investigação mais aprofundada a outros gestores públicos, que também foram multados, para saber se também cometeram a ilegalidade ontem noticiada pela Lusa. Para já, apurou o JN, só foram encontrados autarcas que usaram o dinheiro dos contribuintes para saldar multas que deviam ter sido eles próprios a pagar.
No mínimo, adiantou fonte oficial do TC, todas as pessoas encontradas nestas circunstâncias serão obrigadas a repor o dinheiro em falta, que constitui uma receita do Orçamento de Estado; e no máximo, admitiu o secretário de Estado do Tesouro, Carlos Pina, poderá estar em causa responsabilidade criminal, uma vez que foi usado dinheiro público para pagar uma dívida pessoal. Além disso, o governante admite que poderão ser assacadas consequências disciplinares."

Deviam até ficar interditos ad eternum de se (re)candidatar estes abusadores do erário público.

no Estoril - foto flipvinagre

detesto fotografias tremidas

segunda-feira, 20 de abril de 2009


O intervalo chegou, ele ansiava respirar ar fresco. Foi até à janela do cinema e encheu os pulmões com aquele ar puro. Ao virar-se para o salão não viu ninguém, só ele havia aproveitado o intervalo para esticar as pernas. Caminhou um pouco de um lado para o outro, ia sacar uma cigarrilha para fumar quando sente uma mão pesada no seu ombro. Olhou para trás e viu que havia sido impressão sua, ninguém lhe havia tocado. Sugestão do filme que estava a ver? Talvez. Acabou o cigarro e foi para o seu lugar. A segunda parte do “Estranho caso da mão paralisante” ia recomeçar.

A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente,um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e cousas parecidas – cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia... Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo".

Fernando Pessoa. Carta a Adolfo Casais Monteiro, 13.Janeiro.1935

Che
Che - Guerrilha - De: Steven Soderbergh - Com: Benicio Del Toro, Rodrigo Santoro, Demián Bichir
Che - O Argentino - De: Steven Soderbergh - Com: Benicio Del Toro, Julia Ormond, Pablo Guevara
Género: Biografia, Drama

A história de Che foi dividida em duas partes, “O Argentino” e “Guerrilha”.
Apesar de poderem ser vistas de forma independente as duas ‘fitas’, o filme só adquire o seu mais autêntico sentido na visão das duas. Porque, se uma não contraria a outra, o conjunto dá uma outra percepção da figura, do seu sentido e singular destino. Se “O Argentino” é o triunfo da revolução na sua ideia mais ‘pura’, “Guerrilha”, a segunda parte, representa o seu impasse, onde as ideias do revolucionário se mostram impotentes face a um mundo real onde elas não são entendidas. Neste caso, o idealista ‘puro’ acaba por se tornar o pior inimigo de si mesmo e das ‘ideias’, e conduzir todo o processo ao fracasso."

Um dos heróis da juventude que vemos retratado no écran e que nos satisfaz a curiosidade. Bom filme.

as borboletas são muito bonitas
Renascer

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Sophia de Mello Breyner Andresen

paisagens do Monte Estoril - foto flipvinagre

domingo, 19 de abril de 2009



A madrugada avança
há um silêncio profundo
a mente trabalha, balança
segrega ideias ao mundo
nas ruas nada, nem um pio
todos nas tocas ressonando
eu paro e ensaio um assobio
curto um som e vou rimando
amanhã mais um dia
uma criança que sorria
sinal de paz e encanto
o homem vive para tanto.


É frequente ver por aqui grandes paquetes passarem a caminho do porto de Lisboa. E isso recordou-me que em miúdo tive o enorme privilégio de viajar nos navios da Companhia Nacional de Navegação (CNN). Naveguei mar alto a bordo dos magníficos navios Vera-Cruz, Uíge, Príncipe-Perfeito e Pátria. Luanda- Lisboa e Lisboa-Luanda, com passagem pela ilha da Madeira, Canárias e por vezes um ou outro porto africano, eram escalas obrigatórias. O atlântico, esse mar imenso, atravessei-o, assim, várias vezes, ainda hoje lembro as vagas e vagalhões que num constante vai-e-vem tentavam derrubar-nos e nos punham em sentido, as emoções eram mais que muitas, mas quando a serenidade se impunha, o oceano que nos ocupava todo o horizonte, tornava-se dócil e molengão, os golfinhos acompanhavam-nos no percurso e as gaivotas e os albatrozes apanhavam boleia nas amuradas até onde lhes apetecia e à noite, com o luar, o eco do navio a sulcar o mar tinha um som calmo que chegava a embalar até as sereias, e nós espreguiçávamos nas cadeiras do convés enquanto ondas relaxantes pareciam sussurrar melodias compostas pelo vento, deixando-nos contemplativos, o firmamento na retina superava o melhor quadro. Recordo com saudade essa verdadeira prova de vida onde o mar ganhou o meu enorme respeito, e o homem do leme, a minha maior consideração.


À força de sentir a imensidade
Deste horizonte em círculo infinito,
Converti-me na estátua da saudade,
Ou num bloco de granito.

Teixeira de Pascoais

The Visitor
De: Thomas McCarthy
Com: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jekesai Gurira
Género: Drama, Romance
Walter Vale (Richard Jenkins) é um professor universitário no Connecticut, viúvo, que perdeu todo o interesse pela convivência social e pelo seu trabalho. Durante vinte anos adnou a fingir que trabalhava, não viveu, não fez o que gostava de fazer na sua vida, enfim, foi-se arrastando pelos dias. Quando se desloca a Nova Iorque para assistir a uma conferência, encontra o seu apartamento naquela cidade ocupado por um casal de emigrantes, Tarek (Haaz Sleiman) e Zainab (Danai Jekesai Gurira, numa convincente estreia no cinema). Desfeito o equívoco (o par fora enganado por um ‘amigo’), os jovens prontificam-se a abandonar o apartamento, mas Walter acaba por lhes oferecer alojamento por essa noite. A noite transforma-se em dias, enquanto o professor vai descobrindo que se trata de emigrantes ilegais, à espera de um possível ‘cartão verde’ e sempre em alerta. Tarek, a pouco e pouco, faz Walter despertar para a vida, ensina o seu hospedeiro a tocar o seu tambor/djambé. Walter vai descobrindo um outro mundo e uma cultura viva e dinâmica, até ao dia em que o acaso, vestido de polícia, põe termo à relação, sendo Tarek preso e encarcerado, à espera que o seu destino seja resolvido. Walter luta pela liberdade e pelos direitos de Tarek, ao longo da qual vai conhecer a mãe do amigo, que lhe desperta sentimentos inesperados."
Um travo doce amargo marca o desenlace.
Mais do que o filme sobre a condição dos emigrantes nos Estados Unidos após o 11 de Setembro, “O Visitante” é a história de um homem que encontra uma segunda oportunidade para viver e vai descobrir na música do tambor a forma de a exprimir e de homenagear o homem que o transformou.
A ver, porque nos desperta que há mais vida para além das rotinas...

no Largo do Camões - Cascais - foto flipvinagre

Perguntaram-lhe uma, duas, três vezes e ele, nada, dizia que não sabia, voltaram a perguntar-lhe se tinha a certeza que não sabia e ele confirmava, sim não sei, dizia ele, até que abriram o mapa e viram todos que ele tinha razão, quem ia saber que o raio da nota de cinco euros se tinha metido ali dentro? Por isso, quando alguém diz convictamente que não sabe, é porque uma nota de cinco euros se esconde, algures...mas há excepções!

ideias para melhorar o ambiente urbano

Um anjo caiu do futuro e estatelou-se em pleno Chiado. Levantou-se, sacudiu a poeira das asas, ensaiou dois ou três passos, ainda um tanto aturdido, e finalmente interrogou Fernando Pessoa:
“Pode dizer-me em que tempo estou?”
Era Inverno, mas a noite, límpida e seca, poderia ser de Verão – excepto pelo frio. Nas ruas não se via alma. O poeta ergueu-se devagar do seu silêncio de bronze e espreguiçou-se. Estudou, sem surpresa, o viajante. Suspirou, enfim, morto de tédio:
“Em toda a parte o tempo é semelhante. De onde você vem, por exemplo, não há com certeza mais nem melhor futuro do que aqui. Eventualmente, haverá apenas um pouco mais de passado.”
O anjo era um tipo pálido e esguio. A sua silhueta recortava-se na noite como um simples traço de giz num quadro negro. Estava inteiramente nu e todavia isso não parecia incomodá-lo. Dir-se-ia imune ao frio. Fernando Pessoa esforçou-se durante um breve instante por aparentar alguma simpatia (há que ser simpático com os estrangeiros).
“Lá, de onde você vem, não se usam roupas?”
“Usam, mas ninguém viaja vestido através do tempo.”
Pessoa desinteressou-se do viajante e voltou a sentar-se. O outro postou-se muito sério diante dele; os olhos, de um azul etéreo, quase transparentes, fixaram-se nos olhos absortos do poeta. Falava pausadamente, num esforço por dar às palavras a sua inteira substância, sílaba a sílaba, como quem só há pouco aprendeu o idioma. O sotaque era macio e quente, um pouco cantado:
“O que eu quero é saber se este é o tempo das guerras.”
Fernando Pessoa encolheu os ombros magros:
“É tempo dos homens, o que vai dar o mesmo”. Indicou a cadeira ao seu lado esquerdo: “Não se quer sentar? Podemos fazer de conta que estamos os dois a beber um café…”
O anjo sentou-se de cócoras na cadeira, como um adolescente, o queixo apoiado nos joelhos e os braços prendendo as pernas. A cabeleira comprida, muito loira, quase lhe ocultava as asas.
“Vim em busca do ódio.”
“Veio em tempo certo. Lembro-me do ódio desde muito novo. Lembro-me do quanto eu lhe era alheio…Posso saber porque lhe interessa esse tema?”
“Curiosidade. Pense em mim como um investigador.”
“Compreendo”, murmurou Pessoa: “como um antropólogo entre os canibais.”
“ Não”, corrigiu o anjo: “como um zoólogo entre os chacais.”
Fernando Pessoa concordou. Visitavam-no ali, n’ A Brasileira, toda a espécie de excêntricos. Um viajante do futuro, nu e com asas, em busca do mal, era do mal o menos. Sentia pesar-lhe sobre as pálpebras um grande sono metálico. Queria fechar os olhos e dormir. O anjo, porém, não o largava:
“Veja –bem, o livre –arbítrio…”
“O que tem o livre- arbítrio?”
“O livre- arbítrio permite que o senhor adormeça nessa cadeira, agora, ou que se levante e vá pela cidade em busca da beleza da vida. O livre- arbítrio permite que os homens escolham entre o ódio e o amor…”
Fernando Pessoa começava a sentir um nervoso miudinho a subir-lhe pelas pernas. Seria o sono; seria aquele tipo com asas e a sua vã filosofia, ou tudo isso junto numa noite de Inverno. Cortou irritado:
“Pois o que eu quero é dormir!...”
O anjo assustou-se com a veemência do poeta.
“Certo. Consigo compreender a sua escolha. Mas entre o amor e o ódio o que leva um homem a escolher o ódio?”
Fernando Pessoa não respondeu. Vieram-lhe à memória, sem motivo algum, imagens da sua infância em África. Ele nunca falava daquele tempo. Os dias eram cheios de vento. Os ossos estacavam, ao sol, sob a pele, como coisas antigas. Algures, na imensidão das tardes, ladravam cães. Voltou a ouvir o eco disperso dos gritos. Um menino, numa bicicleta, fugindo da turba (teria roubado a bicicleta?). Certa ocasião, numa estrada abandonada, vira uma coisa incrível: uma roseira explodindo em pleno asfalto.
“ Não sei”, disse. “Talvez o vazio. Talvez as pessoas se tenham esquecido de que existe livre-arbítrio.”
O tempo mudou com a madrugada. Choveu. Uma água mole, exausta, que a luz do sol atravessava com esforço. Os primeiros transeuntes que passaram, apressados, diante d’A Brasileira, estranharam um pouco: não havia ninguém sentado à mesa do poeta.

José Eduardo Agualusa
Livre- arbítrio In “Contos Que Contam

sábado, 18 de abril de 2009


neste dia chuvoso, nada como um cházinho no novo serviço ctrl alt del
"Escreve-se em solidão e lê-se em solidão, mas o acto de leitura permite a comunicação entre dois seres humanos."

Paul Auster


Sobre a descolonização, escreveria o Grande Miguel Torga:
" Fomos descobrir o mundo em caravelas e regressámos dele em traineiras.
A fanfarronice de uns, a incapacidade de outros e a irresponsabilidade de todos deu este resultado: o fim sem a grandeza de uma grande aventura.
Metade de Portugal a ser o remorso da outra metade."

Pode ler-se no Correio do Minho/Lusa:
"Defesa: 'Abandono de África' é o pior legado da revolução de Abril - Jaime Neves
O súbito 'abandono' de África foi um dos piores legados do 25 de Abril, considerou o coronel Jaime Neves, operacional da contra-revolução que em Novembro de 1975 neutralizou uma tentativa de assalto ao poder da extrema-esquerda em Portugal.
'Na altura não me apercebi bem do que era abandonar África, não dei o devido relevo. Se eu me tivesse apercebido que íamos abandonar África com certeza que não sei se entraria [na revolução de Abril]. Pelo menos não tomava parte activa', disse o coronel na reserva, em declarações à agência Lusa.
Para Jaime Neves, o 'problema de África tinha que ser resolvido', mas os responsáveis políticos do pós-25 de Abril em Portugal demitiram-se de 'controlar a independência'.
'A independência devia ter sido controlada por nós. Angola e Moçambique tinha muitos brancos já nascidos lá. Lembro-me em Moçambique de haver a quinta e sexta geração. Como é, foram ignorados? Tinham que ter uma palavra a dizer', referiu.
E acrescentou: 'Havia muitas maneiras de ficarmos em África. Não sou um defensor do Portugal inalienável e indivisível. Se a Guiné não aguentava, tenho muita pena, largávamos a Guiné. Mas isso não nos obrigava a largar Angola e Moçambique. Em Angola, quando se deu o 25 de Abril, não havia um tiro há seis meses'.
(...)À 'indisciplina e anarquia' Jaime Neves acrescenta outra razão: 'Eu não fiz o 25 de Abril para ver o PCP e forças de extrema-esquerda a assenhorarem-se deste país e a mandarem em tudo, passarmos de um extremo para o outro'.
(...)Há cerca de um ano, Jaime Neves sofreu um acidente de automóvel e, ainda em convalescença, sofre um acidente vascular cerebral e foi submetido a uma intervenção cirúrgica ao coração.
Olhando para trás, o 'histórico' do 25 de Novembro arrepende-se de 'poucas coisas' e admite que 'as circunstâncias obrigam por vezes as pessoas a tomar determinadas atitudes'.
Mas observa: 'não posso estar satisfeito com a situação actual do nosso país se olho à minha volta e vejo tudo descontente. Chego eu próprio a pôr em dúvida se valeu a pena. Honestamente'.

Quiosque no Largo de Camões, Lisboa - foto flipvinagre