segunda-feira, 9 de novembro de 2009


A Simplicidade

Quando tinha 14 anos, esperava ter uma namorada algum dia.

Quando tinha 16 anos tive uma namorada, mas não tinha paixão.
Então percebi que precisava de uma mulher apaixonada, com vontade de viver.

Na faculdade saí com uma mulher apaixonada, mas era emocional demais.
Tudo era terrível, era a rainha dos problemas, chorava o tempo todo e ameaçava se suicidar.
Descobri que precisava uma mulher estável.

Quando tinha 25 anos encontrei uma mulher bem estável, mas chata.
Era totalmente previsível e nunca nada a excitava. A vida tornou-se tão
monótona.
Decidi que precisava de uma mulher mais excitante.

Aos 28 anos encontrei uma mulher excitante, mas não consegui acompanhá-la de
um lado para o outro sem se deter em lugar nenhum.
Fazia coisas impetuosas, paquerava com qualquer um e que me fez sentir tão
miserável, quanto feliz.
No começo foi divertido e eletrizante, mas sem futuro.
Decidi buscar uma mulher com alguma ambição.

Quando cheguei nos 31, encontrei uma mulher inteligente, ambiciosa com os
pés no chão.
Casei-me com ela. Era tão ambiciosa que pediu o divórcio e ficou com tudo o
que eu tinha.

Hoje, com 40 anos, gosto de mulheres com bunda grande... E só!

Luís Fernando Veríssimo

sábado, 7 de novembro de 2009

vendedores de castanhas junto ao mar - Costa de Caparica - foto flipvinagre

quis gravar o teu nome no tronco de um imbondeiro,
entretanto anoiteceu, o teu nome ficou a meio,
de manhã completei-o,
a árvore mais bonita do planeta é agora realidade

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A adversidade é um trampolim para a maturidade

Charles Colton


Faça um teste à sua capacidade visual, observe bem esta foto.
Reparou no rabo exposto da rapariga lá atrás?



Bom, ande para baixo.


Se Sim,




Marque uma consulta para o seu oftalmologista porque o rabo em causa é o ombro da rapariga que está com a máquina fotográfica.

Vinte anos depois do Muro a história continua
Passaram vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, um dos símbolos vergonhosos da divisão da Guerra Fria e da perigosa separação do mundo em blocos e esferas de influência. O período actual permite-nos observar aqueles acontecimentos e formar uma opinião menos emocional e mais racional. Os políticos do século XX evitaram uma guerra nuclear. Mas o mundo não é um lugar mais seguro.

A primeira nota optimista indica que o muito anunciado fim da história não aconteceu em absoluto. Mas também não atingiu o ponto esperado pelos políticos da minha geração: um mundo em que, com o fim da guerra fria, a humanidade pudesse finalmente esquecer a aberração da corrida ao armamento, os conflitos regionais e as disputas ideológicas estéreis e entrar numa espécie de século dourado de segurança colectiva, uso racional dos recursos, fim da pobreza e da desigualdade e a restauração da harmonia com a natureza. Outra consequência é a interdependência das questões importantes que têm que ver com o sentido da existência da humanidade. Esta interdependência não se dá apenas entre os processos e feitos que ocorrem nos diferentes continentes, mas também com o vínculo a interligação entre as mudanças económicas, tecnológicas, sociais, demográficas e culturais de milhares de milhões de pessoas. A humanidade começou a transformar-se numa civilização única.

Ao mesmo tempo, o desaparecimento da chamada Cortina de Ferro e das fronteiras uniram não só os países que até há pouco tempo representavam diferentes sistemas políticos, mas também civilizações, culturas e tradições. Os políticos do século passado, podem-se orgulhar de ter evitado o perigo de uma guerra nuclear. No entanto, para milhões de pessoas, o mundo não se tornou num lugar mais seguro do que era antes. Conflitos locais numerosos, guerras étnicas e religiosas têm surgido no novo mapa da política mundial. A prova evidente do comportamento irracional da nova geração de políticos é o facto dos orçamentos de defesa de muitos países, grandes ou pequenos, são maiores do que eram durante a Guerra Fria, assim como os métodos repressivos são cada vez mais o meio para resolver conflitos, que se tornou num aspecto comum e normal das actuais relações internacionais. Infelizmente, nas últimas duas décadas, o mundo não se tornou um lugar mais justo. As disparidades entre a pobreza e a riqueza aumentaram, não só nos países em desenvolvimento, mas também nas nações mais desenvolvidas. Os problemas sociais da Rússia, tais como em outros países ex-comunistas, são uma prova de que o simples abandono de um modelo defeituoso de economia centralizada e de planificação burocrática não é suficiente para garantir tanto a competitividade do país numa economia globalizada, como o respeito dos princípios da justiça social.

Devem-se acrescentar novos desafios. Um deles é o terrorismo, convertido na "bomba atómica dos pobres" não apenas no sentido figurado mas também no sentido literal. A proliferação descontrolada de armas de destruição em massa, a concorrência entre os antigos adversários da Guerra Fria para atingir novos níveis tecnológicos na produção de armas e a emergência de novos pretendentes a desempenhar um papel de protagonismo num mundo multipolar, aumentam a sensação do caos que está afligir a política global. As verdadeiras conquistas que podemos celebrar têm a ver com o facto de o século XX ter posto um fim às ideologias totalitárias, especialmente as inspiradas por crenças utópicas. Mas também ficou evidente que o capitalismo ocidental, privado agora do velho adversário histórico e imaginando-se como o vencedor indiscutível e a encarnação do progresso global, pode conduzir a sociedade ocidental e o resto do mundo a um novo e ameaçador beco sem saída.

MIJAÍL GORBACHOV in "El País" (excerto)
praia das Avencas, Parede - foto flipvinagre

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

encontros imediatos

Eu hei-de esculpir o futuro ao jeito do criador que extrai a obra de mármore a golpes de cinzel. E caem uma a uma as escamas que escondiam o rosto do deus. E os outros dirão: Este mármore continha este deus. Ele o que fez foi encontrá-lo. E o gesto dele não passava de um meio. Mas eu cá digo que ele não calculava, ele forjava a pedra. O sorriso do rosto está muito longe de ser feito de suor, de faíscas, de golpes de cinzel e de mármore. O sorriso não é da pedra, mas sim do criador. Liberta o homem, e ele criará.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

é hoje o arranque do Estoril Film Festival (terceira edição) e pretende, mais uma vez, celebrar o Cinema como verdadeira Sétima Arte, confrontando o seu passado, o seu presente e futuro e a sua relação permanente com as outras formas de expressão artística.
Pretende ser um ponto de encontro entre o público, realizadores, conceituadas personalidades do mundo das artes e um palco permanente de discussão, reflexão, debate e, acima de tudo, um espaço onde se descubra ou redescubra a Arte Cinematográfica.
Hoje também se pode assistir à inauguração da exposição Portraits "In - Eyes", de Juliette Binoche e seguir-se-à a projecção, em antestreia nacional do mais recente filme de Wes Anderson, Fantastic Mr. Fox.
A inauguração de Portraits "In - Eyes" está marcada para as 19h30 no Centro de Congressos do Estoril e conta com a presença da actriz. Amanhã, sexta-Feira, dia 6, Juliette Binoche estará às 18 horas no Centro de Congressos do Estoril para autografar o livro Portraits “In-Eyes” sobre a sua exposição e, às 19h30, fará a apresentação do documentário Juliette Binoche Dans les Yeux realizado pela sua irmã Marion Stalens, que também estará presente.
Consulte o programa aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Outono na baía - Cascais - foto flipvinagre

A realidade e a imagem

O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuva
E desce reflectido na poça de lama do pátio.
Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,
Quatro pombas passeiam.

Manuel Bandeira in Obras Poéticas


Liu Bolin é um artista chinês

Ele pinta-se a si próprio de acordo com o 'quadro' onde se insere
Uma verdadeira arte de camuflagem



Não há golpes nem truques de fotografia. Há quem lhe chame o homem invisível. Impressionante!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

túnel na praia das Avencas, Parede - foto flipvinagre
brancas com listas pretas ou pretas com listas brancas?

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais quotidiana
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

Manuel Bandeira in Obras Poéticas


An employment test question

You are driving down the road in your car on a wild, stormy night, when you pass by a bus stop and you see three people waiting for the bus:
1. An old lady who looks as if she is about to die.
2. An old friend who once saved your life.
3. The perfect partner you have been dreaming about.

Which one would you choose to offer a ride to, knowing that there could only be one passenger in your car? Think before you continue reading.

This is a moral/ethical dilemma that was once actually used as part of a job application. You could pick up the old lady, because she is going to die, and thus you should save her first. Or you could take the old friend because he once saved your life, and this would be the perfect chance to pay him back. However, you may never be able to find your perfect mate again.

YOU WON'T BELIEVE THIS...................

The candidate who was hired (out of 200 applicants) had no trouble coming up with his answer. He simply answered: 'I would give the car keys to my old friend and let him take the lady to the hospital. I would stay behind and wait for the bus with the partner of my dreams.'

Sometimes, we gain more if we are able to give up our stubborn thought limitations.

Never forget to 'Think Outside of the Box.'

HOWEVER...., My answer is to run the old lady over and put
her out of her misery, have $ex with the perfect partner on the hood
of the car, then drive off with the old friend for a few beers.

God, I just love happy endings!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

estátua de Ícaro em P. D'Arcos (de Mestre Joaquim Correia) - foto flipvinagre
com a preciosa colaboração da Gi


De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?

(versos do menino que fazia versos)

Mia Couto in "O Fio das Missangas"

há uma palavra que se liberta quanto te vejo,
vontade,
um sabor que renasce,
liberdade,
um segredo que é um desejo,
beijo.
toldos - foto flipvinagre

domingo, 1 de novembro de 2009

A missanga, todas a vêem.

Ninguém nota o fio que,
em colar vistoso,vai compondo as missangas.

Também assim é a voz do poeta:
um fio de silêncio costurando o tempo.


Mia Couto in "O Fio das Missangas"
Amy Adams

nestes dias cinzentos
em que o sol é impedido de brilhar
vale-me a ternura do teu olhar
e a malícia inclemente que leio no teu sorriso
para a minha alma se alegrar

hoje dei-me conta de que é o 2º aniversário deste blog, um pequeno espaço, pessoal (q.b.), quase um braço da personagem que vamos encarnando neste teatro que é a vida e onde se vai vertendo um pouco do que gostamos, do que nos toca mais particularmente, que vamos lendo e ouvindo, opiniões diversas que se deitam para o ar como que partilhando quase anonimamente e o gosto também partilhado na publicação desses instantes que vão polvilhando o nosso dia-a-dia, fruto de várias fontes, leituras, fotografias, tudo isto decorrente de um bem de que felizmente dispomos, o lazer, que tem proporcionado, inclusivamente, o encontro de pessoas e amigos de outros tempos, outras que vamos conhecendo e das quais recolhemos ensinamentos e outras ainda que fazem o favor de nos privilegiar com os seus comentários, enriquecedores e educados e que aqui se agradecem. Em suma, uma experiência positiva, que faço o possível em manter. E fico muito grato também pela vossa companhia, um grande abraço.
Brincar à Lingua Portuguesa


Um tufão pequeno: um tufinho?
O pequeno viaduto é um abreviaduto?
Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
Em águas doces alguém se pode salpicar?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
Onde se esgotou a água se deve dizer: «aquabou»?
Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?

Mia Couto