domingo, 13 de dezembro de 2009
"(...) em Bruxelas, o primeiro-ministro, José Sócrates, revelou que o Governo apresentou a candidatura do governador do Banco de Portugal a vice-presidente do BCE. “O Governo apoia a candidatura e tudo fará para que um dos mai9s prestigiados governadores seja eleito para vice-presidente do BCE”!, declarou o primeiro-ministro, no final de uma reunião dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia.
E "Cavaco regozija-se com a candidatura de Constâncio à vice-presidência do BCE".
Cá está, um regozijo! Só a 'malta' é que não regozija nada!!! Aliás, regozijamo-nos a 'ver' esta palhaçada toda, ó Maria José Nogueira Pinto, afinal há mais a quem te dirigires, aproveita agora...
vidé 'Público'
“"Ao persistir na lamúria contra a oposição e ao tentar arrastar pateticamente o Presidente da República para o ringue, o PS confessa que só existe um tipo de poder que se ajusta aos portugues: o poder absoluto, sem espaço para 'diálogo', 'vigilância' ou 'negociação'".
João Pereira Coutinho, "Correio da Manhã", 13-12-2009
não posso deixar de concordar, os' xuxas', agora queixinhas e pretensas vítimas por chefiarem um governo minoritário, não podendo alcançar tudo o que eles próprios e só eles próprios se propunham para o país, demonstram não saber governar em diálogo, harmonia, mútuo respeito e consideração pelo princípio da governação estável. Eis outra dificuldade em aceitar a subordinação a esta cambada que faz da máscara e do teatro o seu modus vivendi.
"Só, a um canto e a reflectir no estado do país,
apanhei uma depressão total, ó valha-me Deus!
Comendador Marques de Correia (www.expresso.pt)
0:01 Sábado, 12 de Dez de 2009
Onde o nosso Comendador reconhece o seu estado doentio, provocado pelo estado ainda mais doentio do país, e se recusa a resolver mais problemas da nação, ainda que lho peçam. Não sei quanto tempo mais resistirei à desgraça! Não, não sei!
Não sei mesmo se conseguirei sobreviver. O Pinto Monteiro quer que eu o aconselhe sobre as escutas e não sei que dizer-lhe; o Cavaco quer que eu ache bem o facto de ele ter alugado uns 22 quartos num hotel de luxo no Estoril e eu não sei que
dizer-lhe; o Sócrates quer que eu me indigne por ele ter sido escutado a falar com o Vara e eu não sei que dizer-lhe; o Vara quer que eu acredite que ele apenas recebeu uma caixa de robalos e um equipamento do Esmoriz e eu não sei que lhe diga.
Além disso, 10 economistas altamente reputados querem que eu perceba que não há outra hipótese senão aumentar os impostos e eu não sei o que lhes diga; mas o Teixeira dos Santos diz que isso é mentira e eu não sei o que lhe diga. No meio de tudo isto, o Vieira da Silva quer que eu entenda que ele tem o direito de dizer que as escutas são espionagem política, e eu não faço a menor ideia se isso é assim. E há ainda o presidente do Supremo que me pede encarecidamente que eu olhe para ele com respeito, e eu tento, mas não sei se consigo.
E há, ainda, a momentosa questão do Tratado de Lisboa, que o Luís Amado e o Durão Barroso dizem que é uma maravilha, mas que eu não sei se é, porque uma série de outras pessoas me diz que esse Tratado deixa tudo na mesma.
O Pedro Passos Coelho quer fazer-me crer que é o melhor líder que o PSD pode ter neste momento, embora o Paulo Rangel queira que eu ache que é ele e o Aguiar-Branco queira que eu pense que ele é que é. E eu não faço ideia!E há, até, o Lacão, que me pede para eu escrever sobre o modo irresponsável como o PSD vota a diminuição das receitas por ser contra uns impostos (que, aliás, não existiam, mas cuja ausência
parece que faz falta), mas eu não sei se ele tem razão; e há o PSD,que entende que eu deveria denunciar a duplicidade do Governo que faz o contrário do que promete e quer mandar sozinho, apesar de não ter maioria absoluta, mas eu tenho dúvidas.
No meio de tudo isto, aparece o António Barreto a dizer que corremos o risco de nos tornarmos irrelevantes como país, o que leva uma série de gente a alertar-me que o Barreto, tal como o Medina Carreira e outros assim, são pessimistas estruturais que
puxam a moral do país para baixo, pelo que nem os devíamos escutar! Mas é justamente o Barreto e o Medina que eu melhor percebo e entendo. Porque o que eles dizem é simples: isto está tudo mal, e se ninguém quer saber o mal que isto está, ficaremos ainda pior.
Foi por isso que me sentei num canto a pensar no estado do país.
E quanto mais pensava, mais me deprimia. Sim, o país está mal, está a tornar-se irrelevante...E então, no meio da depressão total que apanhei, ó valha-me
Deus, percebi tudo. Como sempre, decifrei tudo. O país está em fim de festa! O Barreto sabe-o, o Medina sabe-o, mas o Pinto Monteiro também sabe e por isso é que não faz nada de jeito.
Tal como o Cavaco o sabe e por isso reserva 22 quartos; e o Sócrates, que só se agita e irrita; e o Vara que passou a ser do Esmoriz e recebe robalos; e o Noronha que se tornou mais seráfico. É por isso que ninguém quer saber! Nem dos impostos, nem do Tratado, nem do PSD, nem do Governo, nem do Vieira da Silva, nem da
espionagem, nem da Justiça!
Pronto, agora que estou deprimido tratem vocês da porcaria do país, que eu desisto. Passem bem!".
Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
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A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres será expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do «ruído e da fúria, que nada significam». Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe.
Bertrand Russell in 'Ensaios Cépticos: A Necessidade do Ceptcismo Político'
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Um sábio evita dizer ou fazer o que não sabe. Se os nomes não condizem com as coisas, há confusão de linguagem e as tarefas não se executam. Se as tarefas não se executam, o bem-estar e a harmonia são negligenciados. Sendo estes negligenciados, os suplícios e demais castigos não são proporcionais às faltas, o povo não sabe mais o que fazer. Um princípe sábio dá às coisas os nomes adequados e cada coisa deve ser tratada segundo o significado do seu nome. Na escolha dos nomes deve-se estar muito atento.(...) Suponhamos que um homem aprenda as trezentas odes de Chen King e que, em seguida, se fosse encarregado de uma parte da administração, mostrasse pouca habilidade; se fosse enviado em missão a países estrangeiros, mostrasse incapacidade para resolver por si mesmo; de que lhe teria servido toda a sua literatura?(...) Se o próprio príncipe é virtuoso, o povo cumprirá os seus deveres sem que lhe ordene; se o próprio príncipe não é virtuoso, pouco importa que dê ordens; o povo não as seguirá.
Confúcio in 'Os Analectos'

Começa amanhã e prolonga-se até dia 18 a Cimeira de Copenhaga, onde os líderes mundiais se irão reunir para debater as alterações climáticas.
A Greenpeace procedeu e bem a uma certa pressão sobre os senhores que nos governam no sentido de os alertar para os perigos que todos corremos num futuro próximo caso não impere o juízo e o bom senso. Assim, em fotografias manipuladas, representam Barack Obama, Lula da Silva, José Luis Rodríguez Zapatero, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown...com mais dez anos de idade, com rugas e cabelos brancos e ao lado das fotografias o pedido de desculpa dos próprios em registo mea culpa: “Peço desculpa. Podíamos ter impedido uma mudança climática catastrófica... não o fizemos”. Veja as fotografias aqui.
“Age agora. Muda o Futuro” e “O que dirás aos teus filhos?” são outras das frases que constam dos cartazes, que apelam à mudança e a um acordo global de entendimento em prol da Terra.
“A nossa receita para que os líderes mundiais evitem os pedidos de desculpa [no futuro] é simples: cheguem a um acordo justo, ambicioso e com força legal para salvar o clima”, escreve a Greenpeace na sua página, onde divulga os diversos cartazes que foram divulgados em várias cidades. Inúmeros cartazes serão espalhados pelo aeroporto de Copenhaga, fez saber a Greenpeace.
Esperemos que impere a razão e o bom senso para bem de todos nós, oxalá, amen.

"La main de gloire"
Luís Fernando Veríssimo (www.expresso.pt)
0:01 Quarta-feira, 2 de Dez de 2009
O próprio Thierry Henry pede que o jogo seja repetido. Ele está sendo corroído pelo remorso. Levou, sim, a bola com a mão na jogada que resultou no golo que classificou a França para a Copa do Mundo - e desclassificou a Irlanda. Thierry Henry tem sonhos. Num dos sonhos, gnomos irlandeses invadem o seu quarto enquanto ele dorme e levam a sua mão! Thierry Henry acorda sem sua mão esquerda, a que ajeitou a bola para o passe. A mão criminosa, levada para Dublin, para ser julgada. Em outro sonho, a selecção da França entra em campo para o seu primeiro jogo na Copa da África do Sul, e o estádio inteiro agita a mão esquerda no ar enquanto vaia os franceses, e Thierry Henry identifica a sua própria mãe no meio da multidão gritando "Vergonha! Vergonha!" "Honte! Honte!" A selecção tenta se refugiar no vestiário, mas as mãos vão atrás e derrubam os jogadores com cócegas e tapas. Ouve-se no estádio uma nova versão da "Marselhesa": "Alonsanfã de la patrie, la main de gloire est arrivê..." Thierry Henry não consegue comer. Pela sua saúde - sem falar na sua honra e na honra da França -, é preciso que o jogo seja anulado e jogado outra vez. Mas a FIFA resiste.
- Pense na complicação, Thierry. Anular um jogo e organizar outro... Mudar todo o nosso calendário... Não dá.
- Mas eu não aguento mais o remorso. Não durmo, não como... E o bom nome da França?
- Temos de ser práticos, Thierry. Aconteceu, foi lamentável, mas não se pode mudar a História. E o bom nome da França, que já resistiu a tanta coisa, certamente resistirá a mais isto. O Governo de Vichy foi bem pior.
- Sim, mas e eu? A minha história, o meu bom nome? E a minha saúde?
- Tudo isso passará com o tempo, Thierry. E tem outra coisa...
- O quê?
- Pense no precedente.
A FIFA tem razão. Repetir o jogo por causa da mão e da culpa de Thierry Henry criaria um precedente incómodo. O remorso de Thierry Henry poderia contagiar o planeta. O arrependimento e a ânsia de confessar erros e corrigir a História poderia extrapolar do mundo do futebol (outras mãos decisivas que o juiz não viu, penáltis fingidos, campeonatos comprados) para o da política ("Roubei, roubei sim! Quero que me cassem!") e dos negócios ("Superfacturei! Explorei meus empregados! Não mereço a minha fortuna!") e acabar numa orgia de auto-recriminação e reparação, culminando - porque não? - com as Américas sendo devolvidas aos índios.
Mas Thierry Henry insiste. Sua culpa precisa ser expiada.
Maradona telefona.
- Tchê, Henry. Que pasa?
- Foi o passe que dei depois de ajeitar a bola com a...
- No, no. Que se passa por aí? Que história é essa de querer voltar atrás e desfazer sua mão? Vão acabar pedindo que a Argentina devolva a Copa de 86 por causa do golo que eu fiz com a mão contra a Inglaterra. Ou decidindo repetir aquele jogo. Nada de voltar no tempo, viejo. Pára com isso. O que está feito, bem ou mal, está feito. Volver é nome de tango.
- Mas você nunca sentiu remorso?
- Re... quê?
Thierry Henry finalmente cede. Não insiste na expiação da sua culpa. Raciocina assim: se a França for mal na Copa, será castigo suficiente. Se a França ganhar a Copa, então rasgará as vestes, derramará champanhe sobre a própria cabeça e será esmagado e carregado no ar por homens suados, como contrição."
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

















