
- Emigre!"
pois...
vi na Sic e li no JN:Manuela Ferreira Leite criticou esta tarde, no Porto, a actual situação política portuguesa, afirmando que "de demagogia a classe política tornou-se um mundo à parte", está "desacreditada" e afastada dos cidadãos.
"As medidas tomadas e o proclamado objectivo de credibilizar a classe política têm sido marcados por demagogia e de demagogia em demagogia a classe política tornou-se num mundo à parte em que os cidadãos não se revêem" e com o qual não comunicam, salientou a antiga ministra das finanças durante a cerimónia comemorativa dos nove anos de Rui Rio frente à Câmara do Porto.
A ex-líder social democrática acredita mesmo que "a situação é tão grave que a representatividade pode ser posta em causa" até porque "nenhum país se desenvolve com base em incompetência de dirigentes".
Para Manuela Ferreira Leite a classe política está mesmo "completamente desacreditada", "não existe para mobilizar cidadãos" e tem líderes que "infelizmente se habituaram a sobreviver com promessas que nunca cumpriram".
É verdade Manuela, faz tempo que o pessoal não se revê nos políticos, não fazem nada de jeito, vivem à conta do Estado sem dar nada em contrapartida, são autênticos parasitas, eles e os pequenos satélites que os rodeiam e que giram à sua volta em troca de favores, os parasitas dos parasitas. Como já disse, chame-se o Salvador, há que pôr o país em ordem, chega de circo, enough is enough. Irra!

ao fim de uma semana finalmente vejo o Sol, cansei-me da chuva, o frio satura-me, dou as boas vindas ao astro-rei em mais um Natal ibérico, dei folga ao sol tropical, uma folga quinzenal, mas sinto saudades do seu toque na pele... volto já, espera aí.
"Não perguntes Leuconoe, - ímpio será sabê-lo –
que fim a nós dois os deuses destinaram,
não consultes sequer os números babilónicos:
Melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê ainda muitos invernos,
Quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondasdo mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e como a vida é breve, encurta a longa espr’ança.
De inveja o tempo voa, enquanto nós falamos:
Colhe os frutos do dia, o dia de hoje,
Que nunca o de amanhã merece confiança."
Horácio, Odes

domingo caíu aqui uma carga de água como já não me lembrava. Aliás, foi a repetição do que ocorreu na passada quinta-feira. Além da chuva copiosa e forte, com algum vento à mistura, a trovoada abana tudo, o ribombar dos trovões faz estremecer tudo e mais alguma coisa. A cidade de Luanda fica um caos, o trânsito pára, as barrocas largam as areias e a cidade transforma-se num imenso lodaçal. Na periferia fica tudo pior mercê da construção em zonas perigosas, sem regras ou qualquer tipo de condições. Nestes dias de chuva é um ai jesus nosso senhor nos acuda para as gentes dos musseques, que além de ficarem desalojados, perdem os seus haveres. Mas é um ai jesus para todo o mundo pois é um transtorno que toca à porta. Esta cidade está a rebentar, as estruturas são as mesmas de há uns trinta e muitos anos, o excesso de população acelera a sua decadência e a sua inhospitabilidade. E nos dias seguintes, a terra que desceu às ruas e avenidas, agora seca e poeirenta, deixa tudo cheio de pó, uma dor de cabeça para quem anda na rua. Há muita volta a dar nesta cidade, nesta população, mas não se vêem grandes indícios para que as coisas mudem, vigora por cá o lema modorrento do deixa andar, nas calmas... não há-de ser nada! A vida são dois dias...easy...tá bem então.


O poeta valter hugo mãe nasceu em 1971 na cidade angolana de Henrique de Carvalho (actual Saurimo) e hoje vive em Vila do Conde.
Publicou nove livros de poesia, destacando-se "egon schielle auto-retrato de dupla encarnação" (Prémio de Poesia Almeida Garrett), "três minutos antes de a maré encher", "a cobrição das filhas", "útero e o resto da minha alegria".
É autor de várias antologias: "O encantador de palavras", "Poesia de Manoel de Barros", "Série poeta", "Homenagem a Julio-Saúl Dias", "Quem quer casar com a poetisa, poesia de Adília Lopes", entre outros.

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