terça-feira, 25 de janeiro de 2011



Hoje Luanda faz 435 anos. Foi Paulo Dias de Novais quem a fundou no dia 25 de Janeiro de 1575. Uma cidade em ebulição, fervilhante, contraditória, por vezes caótica, à mercê do desenvolvimento frenético e em contágio directo com a sobrevivência para quem a vida é dura. Um relato actual aqui, leia.
Em todo o caso, parabéns Luanda.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

Baía de Luanda - foto flipvinagre

amanheceu
quem diria
que inda agora hoje era ontem
e que cacos ao longe não iam ser olhos de bicho
quem diria

que patos-bravos mergulhando não eram jacarés
e que lagartos azuis iam a quatro patas
quem diria
que bosta de elefante não eram pedras
e que guerrilheiros antigos iam pisar a sua mina
quem diria
que o professor cismando não era surdo
e que os alunos não iam falar a sua língua
quem diria
que a moça do Muié
que inda agora era virgem logo já não é
quem diria
que inda hoje era ontem
amanheceu

Arlindo Barbeitos

(Angola, Angolê, Angolema (1976)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"roboteiros" na Vila do Cacuaco - foto flipvinagre


1
De palavras novas também se faz país
neste país tão feito de poemas
que a produção e tudo a semear
terá de ser cantado noutro ciclo.

2
É fértil este tempo de palavras
em busca do poema
que foge na curva das palavras
usadamente soltas e antigas
distantes das verdades dos rios
do quente necessário das brasas
do latejar silencioso das sementes
dentro da terra
quando chove.

3
Proponho um verso novo
para as laranjas (por exemplo) matinais
e os namorados
com que havemos de encher todos os dias
os mercados.

4
Proponho um verso novo
para as guelra do peixe sem contar
para a abundância da carne
e a liberdade das aves desenhada
no amor das escolas
dos campos
e das fábricas.

5
Proponho um verso novo
para o leite obrigatório em cada dia
e a medalha olímpica
que o riso das crianças já promete.

6
Proponho um verso novo
para o milho a mandioca suculenta
o amadurecido cacho de dendém
alegre na fartura dos dedos
e das bocas.

7
Produzir na palavra
É semear e colher
É cumprir na escrita
A produção.

8
Produzir na palavra
É cantar no poema
Todas as raízes
Deste chão.

Manuel Rui Monteiro (poeta angolano)
In 11 Poemas em Novembro, Luanda, Ed. Lavra e Oficina, 1976

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


nesta campanha eleitoral para PR de Portugal, vê-se que uns andam atrás dos podres dos outros, ou melhor, os outros andam atrás dos podres de um, cavaco tem sido um alvo privilegiado, para os outros é o alvo a abater e então manipulam contra o senhor factos que nos parecem irrelevantes, agora dizem que o homem conspirou contra a república, um dia ainda se atrevem a dizer que o professor é contra a república, é um anarca convicto etc etc, enfim, um circo de todo o tamanho, pena que Cavaco não reaja como deveria reagir, acho excesso de ética, e ele não quer descer ao nível dos outros candidatos, gente vermelha que serve outros propósitos, que não deram provas de valerem alguma coisa em lugar algum, mas é a democracia, o jogo do poder tem destas coisas...força Cavaco, aguenta, vai-te a eles.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011



ouvi alguém dizer "Lição para ser um português feliz, mais activo e alegre, animadão, concretizado, compreendido e ainda com algum dinheiro na conta no dia 14 de cada mês?

- Emigre!"

pois...

vi na Sic e li no JN:
"De demagogia em demagogia a classe política tornou-se um mundo à parte", diz Ferreira Leite

20h50m

Manuela Ferreira Leite criticou esta tarde, no Porto, a actual situação política portuguesa, afirmando que "de demagogia a classe política tornou-se um mundo à parte", está "desacreditada" e afastada dos cidadãos.

"As medidas tomadas e o proclamado objectivo de credibilizar a classe política têm sido marcados por demagogia e de demagogia em demagogia a classe política tornou-se num mundo à parte em que os cidadãos não se revêem" e com o qual não comunicam, salientou a antiga ministra das finanças durante a cerimónia comemorativa dos nove anos de Rui Rio frente à Câmara do Porto.

A ex-líder social democrática acredita mesmo que "a situação é tão grave que a representatividade pode ser posta em causa" até porque "nenhum país se desenvolve com base em incompetência de dirigentes".

Para Manuela Ferreira Leite a classe política está mesmo "completamente desacreditada", "não existe para mobilizar cidadãos" e tem líderes que "infelizmente se habituaram a sobreviver com promessas que nunca cumpriram".

É verdade Manuela, faz tempo que o pessoal não se revê nos políticos, não fazem nada de jeito, vivem à conta do Estado sem dar nada em contrapartida, são autênticos parasitas, eles e os pequenos satélites que os rodeiam e que giram à sua volta em troca de favores, os parasitas dos parasitas. Como já disse, chame-se o Salvador, há que pôr o país em ordem, chega de circo, enough is enough. Irra!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011



hoje lê-se no i:
"Recibos verdes. Quem ganha mil euros passa a receber apenas 598. O novo código contributivo está a por os jovens que ganham a recibo verde à beira de um ataque de nervos. Quem ganhe 1000 euros mensais, passa a ter de entregar 21,5% à cabeça aos cofres do Estado por conta do IRS, e 29,6% à Segurança Social.

Contas feitas, significa que a partir deste mês, quem ganhe aquele valor através de recibo verde leva para casa qualquer coisa como 598 euros, ao invés dos anteriores 621 euros. " etc etc.

Ou seja, um futuro pouco brilhante para os jovens e para todos aqueles que trabalham em Portugal. Como se vive com este montante? Qual o futuro de quem tem que viver com este montante? Chama-se a "isto" trabalhar para aquecer, ou para sustentar um regime de gulosos, para engordar o Estado, esse papão desgovernado por uma alcateia de incompetentes com os seus boys oportunistas. É triste, tudo isso é triste. A luz ao fundo do túnel parece ter-se apagado, nem uma pequena chama de esperança. Há que chamar El-Rei D. Sebastião ou acabar com o circo. Façam alguma coisa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

vista lateral do BNA (Banco Nacional de Angola), Luanda - foto flipvinagre


"Sinto que as cidades também tem sexo, como os seres humanos e os animais. O Rio de Janeiro tem encantos de mulher. São Paulo é homem. Lisboa é uma graciosa rapariga."

Érico Veríssimo_Solo de Clarineta

de Luanda, diria que é uma teen ager inconsciente, frenética, àvida de espanto, e muito vaidosa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

de novo na pela angolana, pronto para enfrentar mais uma etapa, haja saúde

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

desejo a todos um Feliz Ano Novo, fintem a crise, dêem-lhe a volta, sempre com um sorriso nos lábios... tchim tchim
deambulando pelas Beiras esquecidas na despedida derradeira de um ente querido - até sempre madrinha - foto flipvinagre

domingo, 26 de dezembro de 2010

pairando à superfície em Cascais - fotografia do telemóvel

ao fim de uma semana finalmente vejo o Sol, cansei-me da chuva, o frio satura-me, dou as boas vindas ao astro-rei em mais um Natal ibérico, dei folga ao sol tropical, uma folga quinzenal, mas sinto saudades do seu toque na pele... volto já, espera aí.

"Não perguntes Leuconoe, - ímpio será sabê-lo –
que fim a nós dois os deuses destinaram,
não consultes sequer os números babilónicos:
Melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê ainda muitos invernos,
Quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondasdo mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e como a vida é breve, encurta a longa espr’ança.
De inveja o tempo voa, enquanto nós falamos:
Colhe os frutos do dia, o dia de hoje,
Que nunca o de amanhã merece confiança."

Horácio, Odes

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal para todos Ho Ho Ho...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Benguela - praia da baía azul - foto flipvinagre

murmura-me o vento
palavras dispersas
são vogais vadias
sílabas diversas
junto-as no pensamento
declaro-as perversas
sei-as agora
entretanto
tema de conversas
de sorrisos de encanto
oiço o vento
tanto
tanto...

domingo, 5 de dezembro de 2010

zungueiras em Benguela - foto flipvinagre
tudo é passageiro
a vida de uma gaivota
um aguaceiro
um mar de revolta
um domingo caseiro
uma criança que grita
uma mãe aflita
e no fundo dos dias
a luz que nos conduz
volta sorrateira
não sei se tudo isto
não passa de uma brincadeira

divagando...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...TUDO BEM! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos..."

Chico Xavier
domingo caíu aqui uma carga de água como já não me lembrava. Aliás, foi a repetição do que ocorreu na passada quinta-feira. Além da chuva copiosa e forte, com algum vento à mistura, a trovoada abana tudo, o ribombar dos trovões faz estremecer tudo e mais alguma coisa. A cidade de Luanda fica um caos, o trânsito pára, as barrocas largam as areias e a cidade transforma-se num imenso lodaçal. Na periferia fica tudo pior mercê da construção em zonas perigosas, sem regras ou qualquer tipo de condições. Nestes dias de chuva é um ai jesus nosso senhor nos acuda para as gentes dos musseques, que além de ficarem desalojados, perdem os seus haveres. Mas é um ai jesus para todo o mundo pois é um transtorno que toca à porta. Esta cidade está a rebentar, as estruturas são as mesmas de há uns trinta e muitos anos, o excesso de população acelera a sua decadência e a sua inhospitabilidade. E nos dias seguintes, a terra que desceu às ruas e avenidas, agora seca e poeirenta, deixa tudo cheio de pó, uma dor de cabeça para quem anda na rua. Há muita volta a dar nesta cidade, nesta população, mas não se vêem grandes indícios para que as coisas mudem, vigora por cá o lema modorrento do deixa andar, nas calmas... não há-de ser nada! A vida são dois dias...easy...tá bem então.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Lobitando" - foto flipvinagre


sofro o fio que o
cabelo alinha no chão. a
noite que vem comer a luz
ao dia. minha voz
superior. deus certamente
corrige meus olhos. vejo o
frio, a paralisia do
vento. e preocupo-me
lentamente. um estar vivo
sem qualquer obrigação. vou
dizendo o escuro pormenorizadamente

Valter Hugo Mãe

o Valter é uma inspiração...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

_ O que é escrever? No fundo é estruturar o delírio , e tem graça porque quando se trata o delírio o que aparece sempre é uma depressão subjacente _

_ Um amigo meu , o Daniel Sampaio , talvez o melhor psiquiatra português , costuma dizer que só os psicóticos são criadores. Você fala com um neurótico e são tipos que não são nada , que são chatos , repetitivos.
Os psicóticos são espantosos , dizem frases espantosas , estou a lembrar - me de uma que era ...
" aquele homem tem uma voz de sabonete embrulhado em papel furtacores " _
Isto é uma frase do caraças _


Antonio Lobo Antunes

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


deixei o meu pequeno kissange em terras lusas, aqui tive que adquirir outro, é um entretém, uma diversão. chego quase a convencer-me que nasci com um dom para a música, hélas... vou tentando aqui e ali ensaiar qualquer coisinha que não choque os ouvidos, chego a rir-me da minha falta de jeito mas lá consigo tirar uns sonzinhos que vão fazendo sentido, às vezes...um dia hei-de compôr algo de verdadeiramente estonteante, aguardem...

o kissange é um intrumento de som fluido,utilizado em grandes caminhadas como fundo musical, quando um mais velho vai contando histórias à volta da fogueira, ao luar. Sobre a tábua hormónica fixam-se lâminas, que podem ser de bambu ou metal, presas a um cavalete. Agarra-se o instrumento com as duas mãos e toca-se com o polegar de cada uma.

domingo, 21 de novembro de 2010

e eu só gosto de somar dias bons, detesto os dias menos bons, que felizmente são poucos, tenho propensão para as coisas positivas, prefiro ver sempre o lado positivo das coisas, de tudo, afinal, da própria vida... porque sim, porque só assim vamos sorrindo nesta maravilhosa aventura.

domingo, 14 de novembro de 2010

bungalows de praia - Barra do Dande (Angola) - foto flipvinagre


"abro os olhos e desperto o dia. crio
a explosão do sol cheio sobre
mim. arranco-me à terra que
na noite me lançou raízes
e sacudo-me.
separo os braços, abro
o vento com as unhas. imagino
um voo firme. cumpro o
corpo e outras grandes
mentiras"

Valter Hugo Mãe


O poeta valter hugo mãe nasceu em 1971 na cidade angolana de Henrique de Carvalho (actual Saurimo) e hoje vive em Vila do Conde.

Publicou nove livros de poesia, destacando-se "egon schielle auto-retrato de dupla encarnação" (Prémio de Poesia Almeida Garrett), "três minutos antes de a maré encher", "a cobrição das filhas", "útero e o resto da minha alegria".

É autor de várias antologias: "O encantador de palavras", "Poesia de Manoel de Barros", "Série poeta", "Homenagem a Julio-Saúl Dias", "Quem quer casar com a poetisa, poesia de Adília Lopes", entre outros.

sábado, 13 de novembro de 2010

Barra do Dande - Angola - foto flipvinagre
"mãe Luzia" - na Barra do Dande - foto flipvinagre


fim-de-semana prolongado. Basámos até à Barra do Dande, depois do Cacuaco, a uns 30 e picos km de Luanda. Experimentámos o restaurant da mãe Luzia, peixe grelhado com feijão de óleo de palma, mandioca, batata-doce, banana-pão e Cucas....um pitéu de peso!