segunda-feira, 4 de abril de 2011

a arte de Ivan Puig, de que gosto imenso. (vidé site do artista)

sábado, 2 de abril de 2011

na Cidade Universitária - Lisboa - foto flipvinagre


SILOGISMOS

A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,
nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)

(Ana Luísa Amaral)
Notícia nos i:

"Administrador dos CTT falsifica licenciatura e suspende mandato
por Filipa Martins, Publicado em 01 de Abril de 2011
Marcos Batista, ex-sócio do secretário de Estado Paulo Campos e por este nomeado, terá falsificado o currículo. Curso não foi concluído, apurou o i".
Mais um que queria reinar c'a gente... esta malta não tem vergonha, enfim, não tem nada! Tudo isto é triste...

quarta-feira, 30 de março de 2011

por Sintra - foto flipvinagre

“Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas acções, dos seus propósitos e dos seus desejos”

Padre Vieira, no Sermão de São
Francisco Xavier Dormindo


terça-feira, 29 de março de 2011


Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...

Camilo Pessanha, Clepsydra

quinta-feira, 24 de março de 2011

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
e mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar
Intransitivo.
Teadoro,Teodora

Manuel Bandeira

quarta-feira, 23 de março de 2011

adeus Socas e não voltes nunca mais, nem tu nem os teus boys, chiça!!!!!

terça-feira, 22 de março de 2011

na Ericeira numa primavera deliciosamente solarenga - foto flipvinagre

sábado, 19 de março de 2011

evidência da minha passagem pela estrada de Colares - foto flipvinagre

sexta-feira, 18 de março de 2011


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 8 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011


Porque é que o inútil é importante?
Sei os riscos que corro ao propor um tema como este: o elogio da inutilidade। Por um lado, estamos claramente perante um termo ambíguo. A inutilidade parece à primeira vista um valor negativo ou um contravalor. Quando é que a inutilidade é boa e libertadora? Por outro lado, a nossa cultura, que idolatra a produção e o consumo, assumiu o útil como um dos critérios máximos para avaliar as nossas vidas. Se é útil, é bom. Quando nos sabemos úteis, sentimo-nos compensados. A vida tornou-se uma espécie de grande maratona da utilidade. Contudo, o termómetro que assinala a nossa vitalidade interior não pode dispensar a pergunta pelo lugar que saudavelmente damos ao inútil.Porque é que o inútil é importante? Porque o inútil subtrai-nos à ditadura das finalidades que acabam por ser desviantes em relação a um viver autêntico. Condicionados por esta finalidade, e aquela, e aquela acabamos simplesmente por não viver, por perder o sentido da gratuidade, a disponibilidade para o espanto e para a fruição. Recorrendo a uma expressão do teólogo Dietrich Bonhoeffer, a inutilidade é que nos dá o acesso à “polifonia da vida”, na sua variedade, nos seus contrastes, e na sua realidade escondida e densa. E a polifonia da vida outra coisa não é que a sua inteireza, tantas vezes sacrificada à prevalência contínua do que nos é vendido por útil.(...)

José Tolentino Mendonça

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um fio de silêncio costurando o tempo
A missanga, todos a vêem। Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas। Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.

Mia Couto

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

em contemplação pelo Lobito (Angola) - foto flipvinagre

Imagem de Velhos Tempos !...*

De meus tempos de criança
eu tenho muita saudade
e a minha mais tenra idade
guardo sempre na lembrança

Lembrança que me acompanha
pelas sendas do caminho;
eu jamais sigo sozinho
por mata, rio ou montanha.

nas retinas dos meus olhos
tenho imagens sem abrolhos,
brilantes de luz e paz...

São imagens que carrego
de tempos que não renego,
meus tempos de nunca mais...!

*Gotas de Cristal*
*(pseudónimo de Sónia Maria Ditzel Martelo, poetisa brasileira; poema publicado na II Antologia de poetas lusófonos)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

matando as saudades da pátria-mãe - Lisboa - foto flipvinagre

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

caretas/máscaras do Quénia (expostas na RSA) - foto flipvinagre
Pondo a leitura em dia vejo e oiço os "Deolinda" na música "Parva que sou", um canto que faz lembrar os tempos da música de intervenção (saudades do Zeca Afonso...), com toda a razão de ser...Para onde os governantes levam esta nossa juventude?!?!?!Aqui fica a letra: (e veja também o video no You Tube)
"Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


uma curta passagem por Joanesburgo deu para aferir a dimensão deste Estado africano, completamente à parte no continente, a diferença é por demais notória, as acessibilidades rodoviárias, o parque habitacional e o urbanismo, a oferta de bens e serviços, enfim, tudo aqui está muito mais perto do ambiente europeu e do desenvolvimento social e económico dos grandes países.

Jantar na "Nelson Mandela Square", em Sandton, a zona rica da cidade e centro/bairro de negócios. Comeu-se bem, bebeu-se bem, uma chinesa ainda me massajou o lombo... assim se vai levando a vida. Cheers.
Maputo (Costa do Sol) Moçambique - foto flipvinagre

afazeres profissionais levaram-me a Maputo (ex-Lourenço Marques). Inevitável a comparação com Luanda, claro. Maputo está bem mais preservada, não tão populosa, o tráfego automóvel ainda é ligeiro, uma cidade onde se está bem, de gente simpática e onde o turismo já arrancou há algum tempo, isso nota-se. A influência da África do Sul também se faz notar, o trânsito pela esquerda é uma evidência, claro, mas há mais, embora a presença portuguesa continue a fazer-se notar. Mas nós temos mais riqueza e isso é motivo de conversa, sem preconceitos. Diria "maningue nice". Agradável, recomendo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011



Hoje Luanda faz 435 anos. Foi Paulo Dias de Novais quem a fundou no dia 25 de Janeiro de 1575. Uma cidade em ebulição, fervilhante, contraditória, por vezes caótica, à mercê do desenvolvimento frenético e em contágio directo com a sobrevivência para quem a vida é dura. Um relato actual aqui, leia.
Em todo o caso, parabéns Luanda.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

Baía de Luanda - foto flipvinagre

amanheceu
quem diria
que inda agora hoje era ontem
e que cacos ao longe não iam ser olhos de bicho
quem diria

que patos-bravos mergulhando não eram jacarés
e que lagartos azuis iam a quatro patas
quem diria
que bosta de elefante não eram pedras
e que guerrilheiros antigos iam pisar a sua mina
quem diria
que o professor cismando não era surdo
e que os alunos não iam falar a sua língua
quem diria
que a moça do Muié
que inda agora era virgem logo já não é
quem diria
que inda hoje era ontem
amanheceu

Arlindo Barbeitos

(Angola, Angolê, Angolema (1976)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"roboteiros" na Vila do Cacuaco - foto flipvinagre


1
De palavras novas também se faz país
neste país tão feito de poemas
que a produção e tudo a semear
terá de ser cantado noutro ciclo.

2
É fértil este tempo de palavras
em busca do poema
que foge na curva das palavras
usadamente soltas e antigas
distantes das verdades dos rios
do quente necessário das brasas
do latejar silencioso das sementes
dentro da terra
quando chove.

3
Proponho um verso novo
para as laranjas (por exemplo) matinais
e os namorados
com que havemos de encher todos os dias
os mercados.

4
Proponho um verso novo
para as guelra do peixe sem contar
para a abundância da carne
e a liberdade das aves desenhada
no amor das escolas
dos campos
e das fábricas.

5
Proponho um verso novo
para o leite obrigatório em cada dia
e a medalha olímpica
que o riso das crianças já promete.

6
Proponho um verso novo
para o milho a mandioca suculenta
o amadurecido cacho de dendém
alegre na fartura dos dedos
e das bocas.

7
Produzir na palavra
É semear e colher
É cumprir na escrita
A produção.

8
Produzir na palavra
É cantar no poema
Todas as raízes
Deste chão.

Manuel Rui Monteiro (poeta angolano)
In 11 Poemas em Novembro, Luanda, Ed. Lavra e Oficina, 1976

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


nesta campanha eleitoral para PR de Portugal, vê-se que uns andam atrás dos podres dos outros, ou melhor, os outros andam atrás dos podres de um, cavaco tem sido um alvo privilegiado, para os outros é o alvo a abater e então manipulam contra o senhor factos que nos parecem irrelevantes, agora dizem que o homem conspirou contra a república, um dia ainda se atrevem a dizer que o professor é contra a república, é um anarca convicto etc etc, enfim, um circo de todo o tamanho, pena que Cavaco não reaja como deveria reagir, acho excesso de ética, e ele não quer descer ao nível dos outros candidatos, gente vermelha que serve outros propósitos, que não deram provas de valerem alguma coisa em lugar algum, mas é a democracia, o jogo do poder tem destas coisas...força Cavaco, aguenta, vai-te a eles.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011



ouvi alguém dizer "Lição para ser um português feliz, mais activo e alegre, animadão, concretizado, compreendido e ainda com algum dinheiro na conta no dia 14 de cada mês?

- Emigre!"

pois...

vi na Sic e li no JN:
"De demagogia em demagogia a classe política tornou-se um mundo à parte", diz Ferreira Leite

20h50m

Manuela Ferreira Leite criticou esta tarde, no Porto, a actual situação política portuguesa, afirmando que "de demagogia a classe política tornou-se um mundo à parte", está "desacreditada" e afastada dos cidadãos.

"As medidas tomadas e o proclamado objectivo de credibilizar a classe política têm sido marcados por demagogia e de demagogia em demagogia a classe política tornou-se num mundo à parte em que os cidadãos não se revêem" e com o qual não comunicam, salientou a antiga ministra das finanças durante a cerimónia comemorativa dos nove anos de Rui Rio frente à Câmara do Porto.

A ex-líder social democrática acredita mesmo que "a situação é tão grave que a representatividade pode ser posta em causa" até porque "nenhum país se desenvolve com base em incompetência de dirigentes".

Para Manuela Ferreira Leite a classe política está mesmo "completamente desacreditada", "não existe para mobilizar cidadãos" e tem líderes que "infelizmente se habituaram a sobreviver com promessas que nunca cumpriram".

É verdade Manuela, faz tempo que o pessoal não se revê nos políticos, não fazem nada de jeito, vivem à conta do Estado sem dar nada em contrapartida, são autênticos parasitas, eles e os pequenos satélites que os rodeiam e que giram à sua volta em troca de favores, os parasitas dos parasitas. Como já disse, chame-se o Salvador, há que pôr o país em ordem, chega de circo, enough is enough. Irra!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011



hoje lê-se no i:
"Recibos verdes. Quem ganha mil euros passa a receber apenas 598. O novo código contributivo está a por os jovens que ganham a recibo verde à beira de um ataque de nervos. Quem ganhe 1000 euros mensais, passa a ter de entregar 21,5% à cabeça aos cofres do Estado por conta do IRS, e 29,6% à Segurança Social.

Contas feitas, significa que a partir deste mês, quem ganhe aquele valor através de recibo verde leva para casa qualquer coisa como 598 euros, ao invés dos anteriores 621 euros. " etc etc.

Ou seja, um futuro pouco brilhante para os jovens e para todos aqueles que trabalham em Portugal. Como se vive com este montante? Qual o futuro de quem tem que viver com este montante? Chama-se a "isto" trabalhar para aquecer, ou para sustentar um regime de gulosos, para engordar o Estado, esse papão desgovernado por uma alcateia de incompetentes com os seus boys oportunistas. É triste, tudo isso é triste. A luz ao fundo do túnel parece ter-se apagado, nem uma pequena chama de esperança. Há que chamar El-Rei D. Sebastião ou acabar com o circo. Façam alguma coisa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

vista lateral do BNA (Banco Nacional de Angola), Luanda - foto flipvinagre


"Sinto que as cidades também tem sexo, como os seres humanos e os animais. O Rio de Janeiro tem encantos de mulher. São Paulo é homem. Lisboa é uma graciosa rapariga."

Érico Veríssimo_Solo de Clarineta

de Luanda, diria que é uma teen ager inconsciente, frenética, àvida de espanto, e muito vaidosa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

de novo na pela angolana, pronto para enfrentar mais uma etapa, haja saúde