
Nesta altura do ano, as empresas têm por tradição celebrar a quadra natalícia com um jantar ou almoço de Natal. É uma época de confraternização, onde todos os colaboradores se sentam à mesma mesa e dão corpo à harmonia e convívio que nos demais dias do ano se torna impossível, não por uma questão de vontade pessoal, mas por razões de agenda pessoal e motivos estrictamente profissionais.
A boa vontade é manifesta e muitas vezes revelam-se facetas que jamais julgámos apetrechar este ou aquele companheiro de escritório, sendo, por isso, também, uma época de revelações.
Porém, em todo o mundo empresarial (tudo dependendo, claro está, da dimensão da empresa) existem guerrilhas internas, terrorismos camuflados, hipocrisias latentes, favorecimentos pessoais, favores cobrados ou pendentes de cobrança, ciúmes, gerando-se pois nestes “convívios” toda uma cadeia de comportamentos condicionados, tudo parece à vontade, em clima de boa disposição, mas, no íntimo de cada um, fervilha um nervo adormecido ou uma inquietante vontade de, finalmente, explodir, pôr tudo em pratos limpos, afinal, o ano velho vai acabar e importa começar o ano que se aproxima limpo e isento de questiúnculas.
Nestas ocasiões, são notórios os sorrisos tímidos, os olhares cúmplices, os àpartes cheios de frivolidades e de intenções duvidosas, os toques debaixo da mesa, os disfarces de ocasião, um comportamento inesperado deste ou daquele colega, enfim, todo um conjunto de actos carregados de simbologia, revelando-se formas novas de estar e surpresas que o dia-a-dia vai escondendo.
E isto tudo sob a égide do Natal, onde a paz é suposto ser dominante e reinar entre os homens de boa vontade.
Valerá ao menos a intenção? Pontua-se este quesito? Talvez.
O mundo empresarial é um mundo complexo, como tudo o que reúne pessoas, e nele se revelam verdadeiras pérolas do comportamento humano.
Eu gosto imenso de conviver mas talvez mais de observar toda esta floresta de misunderstandings.