quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Centro Cultural de Cascais (foto flipvinagre)
E que tal ir ver umas gravuras de Picasso? No Centro Cultural de Cascais está em exibição um lote considerável de gravuras, aproveite e veja também outras exposições, vale a pena.

Futxiból:a turma do Cabral esta madrugada trouxe seis golinhos na mala, tendo deixado no Brasil dois outros golinhos para saudadji da torcida lusa. Tive a triste sorte de fazer serão e ver o jogo e tive azar. Os nossos jogadores são mimados a mais pela imprensa, transformam-nos em melhores do mundo antes de o serem, ficam inchados e convencidos e depois...pumba, é um golpe enorme no orgulho lusitano. Os senhores jornalistas deviam ter mais prudência, nada de glória antes de tempo, nada de convencimentos prévios, e quanto à vaidade e narcisismo vá lá, juízo e bom senso, espero que "isto" tenha servido para alguma coisa, aprender com os erros é fundamental, Viva Portugal e viva o Brasil. Caras, vocês aleijaram a gentxi...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


"Um taoísta chinês, escreveu mais ou menos isto:«Na região de Chiang-Shih, no estado de Song, há lindas florestas de plátanos, amoreiras e ciprestes. Quando atingem dois ou três palmos de altura, algumas dessas árvores são cortadas para servir de poleiros; das que medem quatro ou cinco palmos, há algumas que são cortadas para fazer estacas e das que chegam aos sete e oito palmos, muitas são serradas para tábuas de caixões. Assim, nenhuma destas chegou ao termo normal da sua vida nem pôde desfrutar, do alto do seu cume, a imagem do mundo para a qual tinha sido criada e, a meio do seu destino, caiu sob os golpes do machado. Este é o perigo de se ser útil."
(António Alçada Baptista in O Riso de Deus)

A miúda vai à primeira festa da sua vida e, com medo dos avanços dos rapazes, pede conselho à mãe:
- Se os rapazes começarem a insistir muito, minha filha,pergunta que nome eles vão dar à criança. Isso vai fazer com que eles desistam.
Assim foi. No meio de uma dança, um rapaz o Quimzinho, malandreco diz:
- Vamos para o jardim atrás da piscina, moça? Ela vai, mas quando o moço quer avançar ela pergunta:
- Que nome vamos dar à criança?O Quinzinho olha-a com surpresa, diz que se esqueceu da carteira no bar e sai de fininho.
Uma hora mais tarde repete-se a cena com um outro, Toninho de seu nome.Igualzinho, quando ela pergunta qual será o nome do filho, ele fica de pés frios e vai-se embora. Chega um mais à vontade, Zequinha, pois claro, vai com ela para o jardim. Começa com beijinho aqui, beijinho ali, apalpa-a e tal...Ela pergunta:
- Que nome vamos dar à criança?
Ele continua, abre o vestido dela.
- Que nome vamos dar à criança? Ele pega-lhe nos seios.
- Que nome vamos dar à criança?Ele tira-lhe o vestido e o resto...e continua...
- Que nome... ahhh... vamos dar... ahhhh...à criança?...Ahhhhhh...Ahhhhhhhhhhhh...
- Que nome vamos.....não....pares...dar...vai.vai....vaiiiiiiiii....à
criança????
Depois de acabarem, ela pergunta mais uma vez:
- E agora, qual vai ser o nome do nosso filho?
Ele, triunfante, tira devagar o preservativo, levanta-se, olha para o alto, dá um nó firme e diz:
- Se ele conseguir sair daqui, vai ser..."David Copperfield!!!"

As bandeiras são tidas como sendo símbolos, representam um estado soberano, um país, uma organização, sociedade, e aglomeram em si os vários sentidos e significados das suas cores e conteúdos, são formas de expressão compactada e, normalmente, são hasteadas em público. O estudo das bandeiras é conhecido como vexilologia, da palavra latina vexilum, antiga insígnia das Legiões Romanas. Há um protocolo internacional sobre o hastear das bandeiras. Como curiosidade, diga-se, por exemplo, que o regulamento da ONU, datado de 20 de Outubro de 1947, diz que : “A bandeira da ONU não deve estar abaixo das bandeiras nacionais. Ela deve ter o mesmo tamanho e ser hasteada simultaneamente e na mesma mesma altura das demais”. Hoje, como está um vento adequado, vou hastear as bandeiras da Felicidade, da Harmonia, da Paz e da Amizade para todo o mundo.

"O Homem Trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de reanimação. Há uma enfermeira ao seu lado. E pergunta se correu tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, há sempre risco. A minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebés no berçário e foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o facto de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, foi viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois de ela não saber explicar o nascimento de um bebé chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Enganaram-se no cartório e...
Os enganos sucediam-se. Na escola, vivia a ser castigado pelo que não fazia. Fizera o secundário com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador enganara-se e o seu nome nunca apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de mil euros.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera a sua mulher por engano. Ela confundiu-o com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela enganava-me.
Foi preso várias vezes, também por engano. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando uma vez ouvira o médico dizer:
- O senhor desta não se safa.
Mas foi também um erro do doutor. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- E se a senhora enfermeira me diz que a operação correu bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou ela hesitante…
- Sim. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?"
Luís Fernando Veríssimo, in “Comédias para se Ler na Escola”, 2001

No "DN"

A líder do PSD (Manuela Ferreira Leite) afirmou ontem num discurso proferido num almoço organizado pela Câmara de Comércio Americana em Portugal, num hotel de Lisboa,
que "num regime democrático não se podem fazer reformas" e "que talvez fosse positivo suspender-se seis meses a democracia para se fazerem as reformas todas".
Logo vieram os porta-vozes esclarecer o contexto das ditas afirmações contrariando as mentes mais radicais e da oposição da oposição, meus amigos calma, ela não disse o que os senhores estão a pensar. Só queria atestar aqui que uma boa paródia vale a pena, não parece mas a Manuela tem muita piada e pelos vistos gosta de agitar o marasmo politiqueiro em que vivemos. Fico à espera da próxima piada com alguma ansiedade, gosto muito.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Penso 99 vezes e nada descubro;
deixo de pensar, mergulho no silêncio,
e eis que a verdade se revela!
Einstein

Era uma mesa de seis, mas pareciam uns quinze, falavam alto, berravam talvez seja o termo mais correcto, gesticulavam e riam como se fossem loucos, pareciam estar na feira. O casal que entrou sentou-se numa mesa próxima, faziam um esforço para se entenderem pois falavam em tom normal, olhos nos olhos, eu, ali mais à beira, ouvia-a e ela, meiga e doce, dizia-lhe que não sabia, tinha dúvidas. Ele parecia desgostoso mas continuava a acariciar-lhe as mãos com o maior enlevo, mendigando uma resposta, vá lá, decide-te, dizia ele. Acabei a minha terceira imperial e saí, o grupo de amigos continuava na maior confraternização e ela acabou optando por um robalo grelhado, dissipando todas as dúvidas,as minhas e as dela.

Cores de outono...gosto imenso de trepadeiras

Mamãe nos ensina a ter fé:
'É MELHOR VOCÊ REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE.'

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


MENDIGO MORTO

Foram encontrá-lo morto,
Hirto e rijo como um pau;
Toda aquela escura noite
O vento soprava mau,
Caíra neve, e o granizo
Fundia pelo chão liso.

Deitado sobre umas pedras ,
Foram encontrá-lo morto
Ao raiar da madrugada
Como os barcos naufragados
Quando partem as amarras…
Na terra, fundo, cravados,
Seus dedos lembravam garras!

Foi sob a mina do Enxidro:
Tinha os olhos muito abertos,
Tristes como os céus desertos…
E, dentre a barba cerrada,
Uma lágrima gelada
Como uma conta de vidro.

Fausto José, Obra do poeta Fausto José. Vol. I. – Armamar : Câmara Municipal, 1999.
(a minha homenagem ao pai do primo Bernardo)

Benguela. A Cidade (a velha cidade de São Filipe de Benguela, fica mesmo de frente para São Salvador da Baía, no Brasil, a quem está ligada pelas águas do Kalunga Grande e pelo sangue dos escravos), rubra de acácias e salpicada de vida, descansa na areia fina da Praia Morena. Um local mágico, com encanto especial, onde o sol casa com a brisa fresca, levando e trazendo o pensamento ao ritmo suave das ondas. Tenho saudades daquela água, morna, de várias cores.


"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
Oscar Wilde

"O Contrato nupcial

Porque eram precavidos, porque queriam que sua união desse certo, e principalmente porque eram advogados, decidiram fazer um contrato nupcial. Um instrumento particular, só entre os dois, separado das formalidades usuais de um casamento civil. Nele estariam explicitados os deveres e os compromissos de cada um até que a morte - ou o incumprimento de qualquer uma das cláusulas - os separasse.
Quando chegaram à parte do contrato que trataria da fidelidade, ele ponderou que a cláusula deveria ter uma certa flexibilidade. Deveria prever circunstâncias aleatórias, heterodoxas e atenuantes. Por outras palavras, oportunidades imperdíveis. E exemplificou:
- Digamos que eu fique preso num elevador com a Angelina Jolie. Depois de dez, quinze minutos, ela diz "Calor, né?", e desabotoa a blusa. Mais dez minutos e ela tira toda a roupa. Mais cinco minutos e ela diz "Não adiantou", e começa a desabotoar a minha camisa... O contrato deveria prever que, em casos assim, eu estaria automaticamente liberado dos seus termos restritivos.
Ela concordou, em tese, mas argumentou que a licença deveria ser específica, rechaçando a sugestão dele de que se referisse genericamente a "Angelina Jolie ou similar". Ficou decidido que ele estaria automaticamente livre da obrigação contratual de ser fiel a ela no caso de ficar preso num elevador com a Patrícia Pillar, a Luma de Oliveira ou uma das duas (ou as duas) moças do "Tchan", além da Angelina Jolie, se o socorro demorasse mais de vinte minutos. Isto estabelecido, ela disse:
- No meu caso...
- Como, no seu caso?
- No caso de eu ficar presa num elevador com alguém.
- Quem, por exemplo?
- Sei lá. O António Fagundes. O Brad...
- O Brad não!
Foi uma negociação longa e difícil, durante a qual ele vetou vários nomes, até ser obrigado a concordar com um, por absoluta falta de argumentos. Ela estaria livre de ser fiel a ele se um dia ficasse presa num elevador com o Chico Buarque. Mas só com o Chico Buarque. E só se o socorro demorasse mais de uma hora!"
Luis Fernando Veríssimo, in "Sexo na Cabeça", 2002

Sherlock Holmes e Watson vão acampar.
Montam a tenda e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir.
Algumas horas depois, Holmes acorda e diz para o seu fiel amigo:
— Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
— Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes, então, pergunta:
— E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
1. Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias, e, potencialmente, biliões de planetas.
2. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte.
3. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03 horas e 15 minutos pela altura em que se encontra a Estrela Polar.
4. Teologicamente, posso ver que Deus é todo-poderoso e somos pequenos e insignificantes.
5. Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia. Correcto?
Holmes fica um minuto em silêncio e diz:
— Fdssss... Watson, não vês que nos gamaram a merda da tenda?!!...

Moral da história: A vida é simples, nós é que a complicamos.

domingo, 16 de novembro de 2008


"Fotografar, é colocar na mesma linha de mira,
a cabeça, o olho e o coração.’’
= Henri Cartier-Bresson =

"A realidade parecia-me fantástica. Olha onde veio dar a nossa lua de mel, troçou ela. Mas prosseguiu a sério: Hoje olho para trás, vejo a fila de milhares de homens que passaram pelas minhas camas, e daria a alma por ter ficado nem que fosse com o pior. Graças a Deus, encontrei o meu chinês a tempo. É como estar casada com o dedo mindinho, mas é só meu".
Gabriel García Marquez (Memórias das minhas putas tristes)

"Todo o conhecimento genuíno tem origem na experiência directa"
Mao Tse-Tung

sábado, 15 de novembro de 2008


foto de Eric Boutlie rBrown Cassandra Nova Scotia 2001

O mar esconde tantos tesouros


"NO AR

- Alô.

- Frota?

- Não, não.

- Não é o Frota?

- Não, é engano.

- Elano?

- Não. En-ga-no.

- Ó Elano, me chama aí o Frota.

- Aqui não tem nenhum Frota.

- Tinha um recado no meu celular do Frota, pra ligar pra ele.

- Mas esse não é o celular do Frota.

- Claro que não, este é o meu. Esse aí é que é do Frota.

- Não! Este é o meu!

- De quem?

- Do Elano. Que Elano! Eu tou ficando maluco... Engano. En-ga-no. Entendeu?

- Ó Tadeu, me chama aí o Frota.
- - - -

AUTORIZADOS

Da série "Poesia numa hora destas?!")

Vou pôr uma placa no coração
dizendo "Atenção:
só deve ser manejado
por pessoal autorizado.
Bons cardiologistas
ou mulheres com muito,
mas muito, cuidado."

Luís Fernando Veríssimo
(in "Expresso")

Pelos tubarões


No Oceanário, este fim-de-semana
Tubarão reúne comunidade científica
De 1990 a 2003, as capturas de tubarões aumentaram de 22% para 80% e 135 espécies correm risco de extinção. Os cientistas estão atentos e reúnem no Oceanário, em Novembro, para encontrarem formas de preservação.
A "Shark Alliance", que reúne mais de 55 organizações científicas não governamentais, está a promover a Segunda Semana Europeia do Tubarão, com a intenção de alertar as entidades políticas europeias para o facto das 135 espécies existentes nas suas águas estarem ameaçadas de extinção.
Também a organização ambientalista Quercus, que estabeleceu uma parceria com a "Shark Alliance", alerta para a sobre-exploração das populações de tubarões e de um terço estar ameaçado de extinção.
Porque prezo a existência destes belos exemplares e adoro a natureza, que devemos preservar, aqui deixo o link para participar, querendo:
Assine aqui a petição da Shark Alliance em defesa dos tubarões

Catarina e Miguel, meus caros primos, muitas felicidadessssss...

Pôr do Sol, o dia 14/11 acabava assim...
Todos os dias têm 24 horas. Em 24 horas pode-se transformar a rotina, criar outro mundo, dormir, sonhar, acordar, sonhar de novo, compor, cantar, dançar, amar, odiar, voltar a amar, usar um novo perfume, conhecer outras almas, partir para nova aventura, criar um help center para ajudar os jovens e os idosos a gozar a vida que lhes resta, ficar triste ao som da chuva no telhado de zinco, ficar preso no trânsito, ficar contrariado, amar-se a si próprio, gozar o calor ameno do sol numa tarde de Outono, sofrer as agruras do vento fresco que nos bate na cara, arvorar velas, levantar âncora e atravessar mares, ler e ouvir uma obra nova...Um dia é uma eternidade!

Discover Noel!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Picasso e Jacqueline, 1957
Fotografia de Davis Douglas Duncan


''A arte é uma mentira
que nos faz compreender a verdade.''
Pablo Picasso

"E se Obama fosse africano?
Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia. "
In Jornal "SAVANA", Maputo, 14.11.2008 (excerto)


O café

Já se deram conta quão social é "um café"?
Pode ser um pretexto para as mais variadas finalidades. Quantas relações terão iniciado e acabado num "vamos tomar café"? Quantas reuniões de trabalho por esse mundo fora deram lugar a bons negócios, a excelentes contratos, à felicidade de uns e tristeza de outros, ao espanto e à incredulidade com " era melhor tomarmos um café"? Quantas vezes nos deixámos enganar "por um café"? Quantas vezes desejámos não ter tomado "aquele café"? E quantas vezes já partilhámos belos serões com um café?
Nem a propósito, já venho...


"Um pescador de caranguejos, quando ia à pesca tinha por hábito nunca tapar o balde em que colocava os caranguejos que ia apanhando.
Isso intrigava todas as pessoas que estavam à sua volta.

Um belo dia alguém que o observava já algum tempo, perguntou-lhe:
- Desculpe, mas explique-me porque é que não tapa o balde dos caranguejos? Não tem medo que eles possam escapar?

O pescador olhou para o individuo e muito calmamente respondeu:
- Não é preciso... Estes são caranguejos portugueses: quando um tenta subir, os outros imediatamente puxam-no para baixo!"
(recebido por email)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008


acabar a tarde em beleza, disfrutando este outono soalheiro, nada como saborear um momento doce à beira mar e ouvir o eterno som das ondas quebrando nas rochas, vale a pena...(se quiser espreitar o site do Farol Design Hotel - excelente, que recomendo, clicke aqui)