sábado, 21 de março de 2009



Hoje, no 'SOL' Maria José Morgado
‘Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários’


Hoje, no 'DN':
'Sala das sessões com luz... anti-sono
Na próxima quarta-feira os debates parlamentares regressam a uma Sala das Sessões totalmente renovada. Deputados passam a ter acesso a computadores individuais, a partir dos quais registam a presença no plenário, fazem as votações, ou dirigem requerimentos e perguntas ao Governo. O hemiciclo, do início do século XX, chega agora ao século XXI. (...)
Quem olha vê a mesma sala, mas para lá da evidência tudo mudou. Oito meses depois, 4,5 milhões de euros depois, a centenária Sala das Sessões da Assembleia da República (AR) reabre na próxima semana totalmente renovada. O chão e as bancadas são novos, a iluminação também, está instalado o ar condicionado, até as estátuas e as pinturas foram limpas. É o resultado da intervenção mais radical feita naquele espaço, desde a sua inauguração, em 1903.
(...) Outra mudança passa pela iluminação da sala - que passa a ter uma luz mais "fria", adaptada à captação de imagens, e de baixo consumo. E uma particularidade: uma luz especial, azulada, que potencia o estado de alerta, em momentos do dia de maior sonolência. E que, de acordo com os responsáveis parlamentares, será usada durante uma ou duas horas, de manhã, e a seguir à hora de almoço - a tecnologia ameaça acabar com as "sestas" parlamentares.'

Ora bem...

sexta-feira, 20 de março de 2009


postal de Sintra - foto flipvinagre


É melhor ser alegre que ser triste
A alegria é melhor coisa que existe
(...)
Samba da benção (Vinicius de Moraes/Baden Powell)
lindo de ouvir

Um dia, um tipo reparou que o seu colega, muito conservador, tinha passado a usar um brinco.

- Não sabia que gostavas desse tipo de coisas - comentou.
- Não é nada de especial, é só um brinco - replicou o colega.
- Há quanto tempo usas isso?
- Desde que a minha mulher o encontrou...no meu carro...na semana passada.

O dia começa sempre de mentira. Porque o sol só finge nascer. Aquela manhã acordou com vontade de esquentar e eu me decidi passear pela praia. Foi quando encontrei Luarmina mergulhada numa poça de água. Estava vestida e as roupas colavam-se no corpo. Aproximei e lhe perguntei a razão daqueles banhos. Ela respondeu que queria aquecer as pernas.
- A água está quentinha ?
- Não recebo quentura da água. Quem me aquece são caracóis.
E explicou: havia uns certos caracóis que lhe lambiam as pernas, pastando nessas gorduras dela. Os bichos desqualificavam viscosas salivas sobre a vizinha e eu só pensava: mal empregadas as minhas próprias babas, com o devido respeito. E salvo seja.
- Dá licença eu entrar?
- Entrar onde?
- Nessa água onde a senhora está ser banhada.
Entrei, fui-me achegando perto da vizinha. Me entornei na toalha da água e fechei os olhos igual como ela. Minhas mãos fingiram ser caracóis, lesmas babadoiras lavrando nas coxas de Luarmina. Para meu espanto, a mulata não me repeliu. Meus dedos prosseguiram, cumprindo seu dever, pescando entre roupa e corpo. Espreitei pela esquina dos olhos: a gorda Luarmina estava flutuando, embenvencida, parecia um navio repousando em desenho de criança. De repente, porém, ela soltou um grito. Emendei minha malandrice, mãos atrás das costas.
- Susto, Dona! O que foi?
Luarmina apontou qualquer coisa sobre as águas. Eram peixes mortos boiando.

Mia Couto, in "Mar me quer", 2000

A cidade vai sofrendo alterações, verifica-se maior movimento por parte dos funcionários camarários, em ano de eleições justifica-se maior cuidado e empenho, o voto assim o reclama, a nossa decisão nas urnas começa a ganhar um peso e uma dimensão relevante e está na ordem do dia, e sem querermos somos beneficiados por mais um canteiro aqui, um jardinzinho ali, umas fachadas limpas, algo que, ao fim e ao cabo, merecemos todos os dias mas só nestas épocas eleitorais parecem tornar-se realidade. E isto tudo porque verifiquei na baixa de Cascais que um estabelecimento comercial há muito encerrado, começa a ganhar nova ‘vida’, era patente uma azáfama para o pôr em condições de fazer face aos exigentes requisitos do actual mercado comercial. Aqui chegados, dirão, tanta letra e ainda não sabemos o que ele pretende, pois bem, isto tudo porque vi a um canto do referido espaço, um rádio dos antigos, daqueles que servia para o meu pai ouvir as notícias, música, entrevistas e demais novidades, e o som até era jeitoso. Perguntei se o proprietário o venderia, mas logo me disseram que não, era relíquia da casa. E foi assim que recuei no tempo uns bons anos, o progresso e o calendário pregam-nos estas partidas, vamos avançando mas, de vez em quando, olhamos para trás, para o caminho já percorrido e temos saudades, dos objectos que fizeram o nosso quotidiano e dos momentos que essas mesmas peças nos proporcionaram.
Não tendo sucesso a minha tentativa de concretizar talvez um bom negócio, resta-me demandar as feiras de objectos antigos/velharias (em Sintra, em Algés), que são lugares deliciosos de visitar, afinal recordar é viver e é sempre delicioso fazer uma viagem no tempo.

quinta-feira, 19 de março de 2009


'Garrett' - Sintra - foto flipvinagre

Idéia para teatro de marionetas:

A tentativa não consumada e abnóxia da asfixia política do Anonimato numa democracia experimental
Actores: meia-dúzia (activos); com muitos duplos (passivos)
Género: dramalhão com pingos de Suspense
Duração: prefere-se curta
Intervalo: não possível pois pretende-se que ninguém ouse sair da cadeira
Realização: Quem sabe?

Quanto mais ‘escavamos’ mais possibilidades temos de encontrar alguma coisa. Assim acontece também com a leitura, quanto mais se lê maior é a probabilidade de encontrarmos a luz que tanto procuramos, o saber, a solução, a resposta.
Claro que podemos estar a ‘escavar’ no lugar errado, mas aí, obviamente, compete-nos estar com atenção, se a obra que temos em frente não possuir o que buscamos ou que aguçe os nossos sentidos e suscite em nós respostas para as nossas perguntas, há que procurar outra obra, o que é dizer, ‘escavar’ noutro sítio. Importante, é continuar ‘escavando’, sempre. Eis porque os tesouros dos piratas são tão procurados. É isso ou talvez...
Só crêem no divino
os que O trazem em si.

Hölderlin

These quotations are from a book called Disorder in the American Courts, and are things people actually said in court, word for word, taken down and now published by court reporters that had the torment of staying calm while these exchanges were actually taking place.


ATTORNEY: What was the first thing your husband said to you that morning?
WITNESS: He said, "Where am I, Cathy?"
ATTORNEY: And why did that upset you?
WITNESS: My name is Susan!
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ATTORNEY: Can you describe the individual?
WITNESS: He was about medium height and had a beard.
ATTORNEY: Was this a male or a female?
WITNESS: Unless the Circus was in town I'm going with male.
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ATTORNEY: ALL your responses MUST be oral, OK? What school did you go to?
WITNESS: Oral.

Hoje comemora-se o Dia do Pai. É com saudade que lembro o meu pai, fica aqui um abraço grande para ele.
E eu, em compensação, recebi um bela Reserva do Dão, a saborear oportunamente e em companhia dos meus filhos de quem tanto gosto, obrigado e um abração.

Beco da Vitória - Cascais - foto flipvinagre

quarta-feira, 18 de março de 2009


O Obsceno, A Obscena

era que: obsceno, ou obscena, eram palavras bonitas.
eu adoro apreciar um corpo pela obscenidade - fica bonito até excitar a comoção.
já vi uma boca obscena que era um poema vivo.
uma mão obscena já me desconcentrou a existência.
línguas obscenas trazem paz ao caos de um orgasmo.

mais até:
uma vez, uma nuvem obscena fez o arco íris corar.
o céu ficou lindo.

Ondjaki in Materiais Para Confecção De Um espanador De Tristezas

O Lado Selvagem
( Into The Wild)
género: Drama, Aventura
realização de Sean Penn
intérpretes: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart

Filme inspirado no livro homónimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que aos 22 anos abandona a sua familia e a sua casa numa busca espiritual de renascimento fora do contexto de tirania das expectativas da sociedade, da sua definição de êxito e do materialismo que o rodeia. O objectivo de Christopher é reinventar-se através de uma vida de pureza e negação.Talvez a idéia que passa pela cabeça de muitos jovens aqui se concretize, ser livre neste caso é fazer tábua rasa de toda a série de convenções sociais, uma revolta do indivíduo contra o grupo, buscando por si só a felicidade.
Rebaptizando-se Alexander Supertramp (superandarilho), rumou com destino ao longínquo e pouco habitado Alasca para se embrenhar na mais inóspita Natureza, admirando-a e partilhando dos seus frutos em todo o seu esplendor, lendo os livros que o inspiram e consultando um compêndio de plantas comestíveis.
No seu idealismo, Christopher transforma-se num eremita, recusando todos os prazeres, abraçando a natureza (into the wild) e equipando-se para a sobrevivência (em suma, contentando-se com o mundo). Mas a natureza é tão bela quanto dura, tão generosa quanto implacável.
No caminho, cruzou-se com as vidas de muitas pessoas, algumas partilhavam do seu ideal e outras chamavam-no ao mundo real , mas todos eles o confrontam com as suas escolhas e não é sem bastante apreensão que o vêem partir. Difícil de entender é como Christopher se afasta da irmã Carine (Jena Malone – responsável também pela narração), a única a aceitá-lo e a alcançar, ainda que só em parte, as suas motivações.
Talvez uma lição sobre os custos da liberdade individual, mas também das vantagens da solidariedade e da partilha social e familiar que está inerente à vida em sociedade.
Fica uma mensagem maravilhosa do filme, e deve fazer-nos reflectir sobre seus vários significados:
"A felicidade só é real se compartilhada."

Ver é obrigatório!

Cascais - foto flipvinagre

Um galo que canta, um cavalo que relincha,
um gato que volteia: a aurora.
Um lírio que se inclina, um limão que cai,
uma árvore que estala: meio dia.
As areias que azulecem, os fumos que sobem,
os amantes que se encontram: a noite.

Autor árabe desconhecido
(da colectânea O Jardim das Carícias - traduzido por Joaquim Pessoa, in Os Herdeiros do Vento - Antologia Apócrifa)

terça-feira, 17 de março de 2009


A Garça e as Tardes (3/7/02)

encontrei uma garça gaga.
atropelava-se a si própria enquanto voava
com isso considerava-se aleijada.
pedi-lhe emprestada a gaguez.

hoje a garça é feliz.

eu ganhei o hábito
de gaguejar tardes.

Ondjaki in Materiais Para Confecção De Um Espanador De Tristezas

Quem quer ser Bilionário?
Slumdog Millionaire
De: Danny Boyle, Loveleen Tandan
Actores: Dev Patel, Anil Kapoor, Freida Pinto
Género: Drama, Musical

Jamal Malik, um órfão de 18 anos dos bairros de lata de Bombaim, está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rupias (cerca de 300 mil euros) na versão indiana do concurso Quem Quer Ser Milionário? Pelo meio e enquanto decorre o concurso, a organização do jogo denuncia Malik à polícia por suspeita de fraude. Jamal conta então à polícia a história da sua vida nas ruas e todas as suas aventuras para reencontrar a rapariga que sempre amou. Mas como é que ele sabe as respostas? E o que está a fazer no concurso?

Posso dizer que o filme está muito bem concebido e consegue-nos prender até ao cair do pano. Vale a pena e percebo porque ganhou tantas estatuetas, merecidas, sem dúvida.

navegando pelos azuis - foto flipvinagre

vago - vaga - vaguear - barco - barca - embarcar - no céu uma estrela - o vento - rumos vários - é preciso é navegar.

Construindo seja o que for, acrescenta-se algo mais, torna-se o que havia ou mesmo o que não existia em obra, e a nossa acção passou a ser útil, é uma manobra, de quem não soçobra, e quem faz expressa o que lhe vai no ser, podem gostar ou tanto faz.

sonho
sonho lindo
sonho mau
sonho acordado
sonho em pé
sonhador.

É de elogiar a atitude desta bela rainha Rania da Jordânia, trata-se de alguém que embora pudesse perfeitamente ter vivido à sombra da sua boa posição social e pessoal tenha escolhido lutar por uma causa tão necessária nos dias de hoje, a dos direitos das mulheres no mundo muçulmano.
Rania recebeu ontem o prémio do Centro-Norte-Sul do Conselho da Europa, esta distinção, que é atribuída anualmente, desde 1995, visa distinguir duas figuras públicas que tenham contribuído para a promoção dos direitos humanos, para a democracia e para o diálogo entre os países do Norte e do Sul.
Bem merecido.

AQUÁRIO

Se o que se quer é a boa esposa
A aquariana pousa.

Se o que se quer é outra coisa
A aquariana ousa.

Se o que se quer é muito amor
A aquariana
É mulher macho sim senhor.

Porém não são possessivas
Nem procuram dominar
Ou são meigas e passivas
Ou botam para quebrar.

Vinicius de Moraes - A Mulher e o Signo Final

segunda-feira, 16 de março de 2009


Ela respondeu ao anúncio, sentia-se preparada, estudara anos a fio e pensava até dominar o assunto, estava pois capaz de ser a candidata ideal. A entrevista correra bem, fez prova das suas aptidões, gostaram dela, mas, afinal, o lugar de assistente de direcção já havia sido ocupado, a ela propuseram-lhe ficar como recepcionista. Era um começo, pensava, não estudara para aquilo mas, melhor um pássaro na mão que dois a voar e além disso com a crise de emprego instalada não podia recusar a oportunidade que lhe davam. Prometeram rever o contrato seis meses mais tarde, nomeadamente as funções, o que não aconteceu, felizmente. Entretanto ela enveredou por uma especialização na àrea fiscal, só para apurar uns conceitozitos e concorreu para um lugar em Bruxelas, na União Europeia, o seu primo Barroso que já lá trabalha há alguns anos, deu-lhe boas indicações e começa a trabalhar em breve, foi uma sorte ter reatado a sua amizade com o primo! Ele até lhe disse, mas para que andàste tu a perder tempo naquela chafarica?! A vida tem destes episódios, grotescos, às vezes acontece-nos cada uma!

Era um homem de convicções, se visse algo que ele entendesse que era roxo, era roxo, não importa que todos os outros dissessem que era azul ou mesmo lilás, e era teimoso, se entendia que uma coisa só podia ser como ele a pensou não adiantavam os argumentos em contrário. Até que um dia uma mulher lhe deu a volta, só ela foi capaz, chamava-se Rosa, para ele não tinha espinhos, era um doce de mulher, ele tornou-se um outro homem. Há rosas assim, capazes de virar a cabeça de um homem.