quarta-feira, 14 de abril de 2010

porque nem tudo são rosas... eis um musseque (Samba) - foto flipvinagre

Do que nada se sabe

A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

Jorge Luis Borges

3 comentários:

Luísa A. disse...

A outra face da moeda, Flip...

fugidia disse...

... pois :-(

Flip disse...

Luísa,
a face que tem na origem causas diversas, a guerra, que provocou o êxodo da população para as cidades, a falta de estruturas urbanas para inserção desta gente toda,enfim, um "senão" que por aqui se vai vivendo, a que acresce um lote enorme de emigrantes dos países vizinhos que vão aumentando esta colmeia, com consequências adversas...Para nós é uma realidade estranha, mas que faz parte do nosso tempo, impõe-se uma leitura equidistante...

Fugi,
é isso, custa ver mas é o que há
:-(

um beijinho para cada uma das meninas
:-)