terça-feira, 8 de setembro de 2009


vejo-a ao longe, a sua silhueta memorizei-a em todas as estações, mas é o verão que lhe realça as formas, o próprio Sol tomba mais tarde no horizonte e regressa mais cedo na manhã seguinte, até o mar se torna manso, ninguém tem descanso

“Acreditamos na vida eterna", assim grita a tragédia; enquanto a música é a ideia imediata desta vida. Uma finalidade muito diferente tem a arte do escultor; aqui Apolo supera o sofrimento do indivíduo com a luminosa glorificação da eternidade da aparência, aqui a Beleza vence o sofrimento que insere na vida, a dor, é, de algum modo, obrigada a desaparecer dos traços da natureza. Na arte dionisíaca e no seu simbolismo trágico a própria natureza fala-nos com a sua voz verdadeira e aberta: "Sede como eu sou! Na mudança incessante das aparências, a mãe primigénia, eternamente criadora, que eternamente constringe à existência, que eternamente se satisfaz com esta mudança de aparência".

F.Nietzsche

segunda-feira, 7 de setembro de 2009


janelas de Cascais - foto flipvinagre


"Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós"

Amado Nervo


tempo perfeito é aquele em que a felicidade ganha foros de autenticidade, a pequena flor que te dei, o pôr-do-sol que vimos juntos, a espuma do mar com que banhei o teu cabelo, até aquele cavalo branco que te levou a galope, já lá vão trinta anos, quando voltas?


Um espírito mesquinho é como um microscópio: aumenta as pequenas coisas, mas impede de ver as grandes

Philip Chesterfield

domingo, 6 de setembro de 2009


O Eterno Sonho do Amor

Realização: Jan Schütte
Actores: Barbara Hershey, Elizabeth Pena, Otto Tausig , Caroline Aaron, Olivia Thirlby
Ano: 2007 / Alemanha
Género: Drama

Max Kohn é um imigrante austríaco radicado em Nova York, está quase a completar 80 anos. Aclamado escritor de contos e com uma vida amorosa agitada, seja com relacionamentos reais ou apenas imaginados, Max sente que a sua vida está apenas a começar. Durante uma viagem de comboio rumo a uma palestra, a realidade e a ficção começam a confundir-se e Max acaba por incorporar a personagem principal do seu último livro, pondo em risco o seu caso com a mulher que ama.
Um filme interessante onde ressalta essa capacidade de sonhar, que não tem idade, e o seu contraste com a vida real.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


ruelas de Óbidos - foto flipvinagre


Diz no 'DN' Maria José Nogueira Pinto sob o título "Pode a política não ter valores?
(...) Manuela Ferreira Leite decide entrar em ruptura com uma forma de fazer política, geradora de descrédito e desconfiança, e fazê-lo a partir de um PSD que mercê de sucessivas lutas internas não lograra constituir-se como alternativa, joga uma parada altíssima e de enorme risco.
Não vale a pena, pois, comparar o seu programa com o do PS em número de páginas ou em quantidade de medidas. O mérito deste programa é ser feito para o País que temos e com vista ao País que queremos e não, apenas, para conquistar votos. Este é, aliás, um dos raros programas que ousou ter um fio condutor, um pano de fundo valorativo. E é neles que se escora a sua coerência intrínseca.
Cito apenas alguns exemplos: o reconhecimento da necessidade de valores cívicos e éticos; a importância de um Estado social apto a aproveitar toda a energia da sociedade civil; a família tomada como eixo de todas as políticas sociais; uma visão da política como a arte do possível obrigando a opções prévias e claras; a convocação dos cidadãos como parte deste pacto numa partilha de responsabilidades; a economia como um instrumento ao serviço das pessoas e do desenvolvimento; o reconhecimento da importância de mobilizar e estimular as valências do poder local; a substituição de um dirigismo asfixiante por um Estado no seu lugar, garante da ordem pública e das condições de bem-estar que dê espaço de respiração às aspirações e projectos dos indivíduos, das famílias e das instituições; o reconhecimento de que solucionar o terrível problema da Justiça arranca, hoje, sobretudo do reforço da credibilidade e da legitimidade do poder judicial e dos seus actores; o valor, na saúde, da universalidade do acesso aos cuidados e da promoção da liberdade de escolha; uma cultura de exigência e de rigor na educação. Tudo isto são valores mais seguros e eloquentes que 300 medidas inexequíveis e impossíveis de avaliar."

A meu ver, continuam os partidos com as mesmas bases programáticas, escudando-se em valores que entendem entre eles terem caído nas ruas da amargura e a garantir que agora é que é, com esta liderança é que vai ser e mais isto e aquilo. E quem assim fala, é claro, está também imbuído nesta corrente de vitória, ou pelo menos de candidatura à vitória, e com lugar assegurado, tratando-se, portanto, de mero panfleto de propaganda naquilo que julga adequado ou satisfatório. Pois eu cheguei já há algum tempo à era do São Tomé, só vendo para crer, de promessas fartei, seja qual for o profeta, e por isso aguardo pelos demais programas eleitorais, a ver se algum deles é mais concreto e tenha bases sólidas que me inspirem confiança, o meu voto não é fácil,assim o fizessem todos, chega de blá blá bla, quero ver trabalho.


No DN, hj:
"Mulher do primeiro-ministro diz que a sua alma viajou para Vénus num OVNI
O Japão habituou-se a chamar o seu futuro primeiro-ministro o 'extra-terrestre'. Mas a sua mulher é que parece ter estado em contacto com seres de outros planetas.
No livro Coisas muito estranhas que encontrei, publicado há cerca de um ano, a futura primeira dama diz que foi raptada por extra-terrestes e levada para Vénus.
"Enquanto o meu corpo estava a dormir, a minha alma viajou num ovni triangular até Vénus. Era um lugar bonito e muito verde."
Miyuki garante que conheceu Tom Cruise na outra incarnação, quando ele era japonês. E diz que está ansiosa por contracenar com ele."

Lembro-me perfeitamente desta senhora quando fui Samurai, mas aquele chá que ela toma é terrível!!!!

janelas gémeas - Óbidos - foto flipvinagre
esta noite não consegui arrancar-lhe uma palavra sequer. Há noites assim, noites mudas, em que a simples contemplação, por si só, diz tudo


Vêm morrer à praia e são jovens
as sereias;
jovens como andar à chuva,
a brusca melancolia,
o lume aceso da cal;
jovens como as baladas escocesas
ou as molhadas sílabas de Junho;
e com a lua nova
vêm morrer no areal.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 3 de setembro de 2009


4 a 5 vagas na minha bike para uma voltinha no paredão - inscrições abertas - não se atropelem, há espaço para todos

miradouro na Ericeira - foto flipvinagre

Lua e Marte dominam agora os céus que me servem de tecto, parecem tão próximos que diria conversarem sobre o que os afastou mas, lentamente, à medida que se voltam a distanciar, subindo o seu tom de voz, oiço que falam sobre o que verdadeiramente os aproximou

“(...) Para mim o que pode haver de sensível no amor é uma saia branca a sacudir o ar, um laço de cetim que mãos esguias enastram, uma cintura que se verga, uma madeixa perdida que o vento desfez, uma canção ciciada em lábios de ouro e de vinte anos, a flor que a boca de uma mulher trincou...
Não, nem sequer é a formosura que me impressiona. É outra coisa mais vaga - imponderável, translúcida : a gentileza. Sim, e como eu a vou descobrir em tudo, em tudo - a gentileza... Daí uma ãnsia estonteada, uma ânsia sexual de possuir vozes, gestos, sorrisos, a romãs e cores!..
" Lume doido! Lume doido!... Devastação! Devastação!...
Mas logo serenando:
- A boa gente que aí vai meu querido amigo, nunca teve destas complicações. Vive. Nem pensa... Só eu não deixo de penar... O meu mundo interior ampliou-se - volveu-se infinito, e hora a hora se excede! É horrível. Ah Lúcio! Tenho medo de soçobrar, de me extinguir no meu mundo interior, de desaparecer na vida, perdido nele...
"... E aí tem assunto para uma das suas novelas: um homem que à força de se concentrar, desaparecesse da vida - imigrado no seu mundo interior...
" Não lhe digo eu? A maldita literatura... (...)"

Mário de Sá- Carneiro

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

hoje foi dia de colorir o céu

"How to make God laugh? Tell him your future plans."
Woody Allen



capelinha de Santa Helena, Santa Cruz - foto flipvinagre

e quando deste mundo abalamos
carregados no lombo e no tino
de tudo um pouco levamos
cada um segundo o seu destino

danço agora à luz da lua
livre, sem amarra alguma
a minha vida e a tua
juntas, como se fossem uma


"Os nossos sentidos não nos enganam. O que nos engana é o nosso julgamento"

Johann Goethe

Vê como o verão Subitamente Se faz água no teu peito, E a noite se faz barco, E a minha mão marinheiro.
Eugénio de Andrade



é daquelas coisas!!! Se encontrar, que se cumpra o que se diz

terça-feira, 1 de setembro de 2009


em Óbidos - foto flipvinagre

as palavras que ela lhe dizia
compunham segredos por realizar, dele dependia a sua concretização,
e nascendo sempre sob a luz do sol,
ele só se tornava arquitecto dos seus desejos
quando a lua brilhava nos olhos dela

"Estou diante da tua porta, impecavelmente vestido e com um ramo de gardénias na mão.
Tenho a intenção de tocar, esperar uns segundos e ver aparecer a tua cabeça na moldura da entrada com uma expressão de cínica surpresa, pois ambos sabemos que estás à minha espera. (...) Tomo balanço, isto é, a mão retrocede até ficar paralisada como que por uma parede de ar que impede uma maior deslocação e se prepara para cair contra a superfície branca da porta.
Quando a mão está a escassos milímetros, detém-se, e penso então em todas as possibilidades.
Poderia dar-se o caso de o ruído imprevisto, toc toc, te provocar um repentino pavor.(...)Poderia também acontecer que a minha mão adquirisse uma força infinita e ao segundo toc perfurasse a porta com o consequente ruído de lascas de madeira a caírem no linóleo(...) No meio destas reflexões, a mão começa a tremer-me, entra em convulsões de incerteza(...). Assim as gardénias envelhecem em poucos segundos no seu invólucro transparente e, quando parto atravessando os umbrais do edifício, aquela boca que me cospe para a solidão húmida da rua, e inicio a minha caminhada com a cabeça metida entre os ombros sentindo uma vez mais a vergonha da derrota, acontece-me escutar nitidamente, lá em cima, o teu pranto de gardénias ausente".

Luis Sepúlveda in Encontro d amor num país em guerra