quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Felicidade eterna

" Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, como todos nós, morrem. Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.

José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados"

E isto porque a infância é tempo de inocência, é o momento de nos fazerem acreditar que tudo é um mundo de rosas, isto para alguns, claro, para muitas outras crianças “isto” nem sequer se passa e há muitas outras que só tomam contacto com “isto” após serem eles próprios pais/mães e dão aos filhos tudo o que não tiveram, diria que aqui se trata de uma compensação espelhada. Por isso se diz e bem que o melhor do mundo são as crianças, e sê-lo-ão sempre, e se fossem todas tanto melhor...bom, mas aí acho que estaríamos no paraíso.

4 comentários:

Luísa disse...

As crianças, Flip, têm sobre nós a enorme vantagem de não saber inventar sofrimento. Choram com a dor, choram com o abandono, mas não choram com o «stress». Lembro-me de a minha irmã dizer, quando fez o estágio médico, que as crianças eram os únicos doentes que não se queixavam de tudo e de nada, e interminavelmente. Na infância, sobretudo, não se pensa no passado, nem no futuro, pelo que tudo é presente, até a felicidade eterna. :-)

Flip disse...

cara luísa,
sem dúvida :-)

Once disse...

não tenho a mínima dúvida que assim seja Caro Flip logo eu que tenho a vida cheia delas.
E lamento profundamente todos os adultos que não o conseguem sentir .. que como ambos sabemos, são cada vez .. mais.

Quanto ao livro que cita, se não leu ainda, leia :) é divinal !

Flip disse...

cara once,
quem desdenha e despreza os mais novos são seres muito frios, da familia dos rastejantes...e por isso desprezíveis, esqueçamo-los.
Tenho o livro para ler...está na fila :-)
bj